domingo, 30 de março de 2014

Treze

Dia desses, li um texto do Trilhos Urbanos sobre uma pessoa que ia viajar sozinha e contava que as pessoas estavam preocupadas em como ele aguentaria viajar sem uma companhia. O autor diz que todos os questionamentos falam muito sobre como as pessoas lidam com a solidão. E esse texto me fez pensar muito em mim, na minha solidão, na minha vida.

Houve uma época, há muitos anos, em que o que eu mais queria era estar sozinha. Já falei sobre isso aqui. Mas retomo o tema porque há certos dias em que a solidão me apavora. E hoje, quando Leo e eu completamos trezes (treze!!!!!) anos juntos, acho que é algo bem apropriado.

Por alguns motivos familiares, de trabalhos e de estudos, quase não tenho ido a BH com o Leo. Mas todo fim de semana ele bate ponto lá. Fico aqui em OP mesmo, com vovó, Tia Ylza e Cuca, estudando, trabalhando, fazendo quebra-cabeça (produção temporariamente parada por falta de espaço), lendo, vendo filme.

Durante a semana, Leo pode atestar, durmo cedo. Minha bateria já começa a falhar lá pelas 21h. Raramente passo de meia-noite, mas, quando isso acontece, estou acabada, destroçada, zumbizada no dia seguinte. Mas quando Leo não está aqui comigo, meu corpo resiste a dormir. Fico até altas horas acordada, lendo, escrevendo, ouvindo música, vendo filme. Em geral, na minha mesa. Sempre pensando em coisas pra fazer ou pra adiantar.

Depois de ler o texto do Trilhos Urbanos é que parei pra pensar. Talvez (hipótese bastante plausível) eu relute em ir dormir quando o Leo não está aqui porque é muito, muito difícil encarar a cama sem ele. É difícil ver aquela imensidão de colchão sem a presença calorosa dele. Mesmo que eu ajeite os travesseiros dele de modo a ficar a impressão de que há alguém ali do lado. Não adianta tentar um autoengano: Leo não está lá. E eu fico com saudade do abraço, do morno regaço onde eu deixei um pedaço de mim, como diz a música do Skank. Então, pra que dormir? Mesmo que eu seja a pessoa que nunca tem insônia, que encosta e dorme, que apaga cedo ou que, um dia, já se questionou sobre a necessidade de dormir já que há sempre tanta coisa a ser feita.

Nesses treze anos juntos, aprendi muita coisa. Já falei várias vezes que o Leo é a pessoa que me coloca no rumo, que puxa meus pés pro chão quando tudo parece desmoronar. Ele é o companheiro perfeito pra mim, porque completa as minhas falhas, quase como as peças que completam um quebra-cabeças. E, como diz Chico Buarque, "nós, nas travessuras das noites eternas, já confundimos tanto as nossas pernas" - nas noites solitárias, "diz com que pernas eu devo seguir"?

Ano passado, quando completamos doze anos juntos, o texto foi mais feliz, mais pra cima. Mas nada mudou de lá pra cá. O amor, a gratidão, o companheirismo são os mesmos. Talvez, apenas mais depurados. Ou, ainda, a saudade esteja maior nesses dias solitários; e esteja gerando uma vontade ainda maior de ficar com o Leo.

E dessa vez, vamos de Skank.

Os Exilados
Meu coração tá batendo de amor e cansaço
Saudade do abraço, do morno regaço onde eu deixei
Um pedaço de mim, um pedaço de mim

Meu coração parecendo um lobo rubro aço
Ficou mudo no abraço, é de veludo o laço com que eu atei
Um pedaço de você, um pedaço de você

Com você eu vou mais longe
Que os cristos, que as crenças
Que o bonde de valença
Com você eu vou mais longe ê

Meu coração é o seu
Seu coração é o meu
Meu coração é o seu
Seu coração é o meu

Meu coração tá batendo de amor e cansaço
Saudade do abraço, do morno regaço onde eu deixei
Um pedaço de mim, um pedaço de mim

Com você eu vou mais longe
Que a ilha de mallorca
Onde a porca torce o rabo
E o diabo nos esconde

Meu coração parecendo um troço, um erro crasso
Tipo "lost in the space", não entende o estilhaço
Que é só, eu sei
Um balaço de amor, um balaço de amor

Com você eu vou mais longe
Que os cristos, que as crenças
Que o bonde de valença
Com você eu vou mais longe ê

#ficamaisemOP #voltaLeo #tretanafirma #desculpaísogra #amoreternoamorverdadeiro #saudadesmil


#Cucatáteesperando

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...