domingo, 16 de março de 2014

Livro: As relações perigosas



Pela segunda vez, li As relações perigosas, de Chordelos de Laclos. Na primeira, li para o meu TCC em Jornalismo. Não foi um dos principais analisados para o projeto experimental, mas continha o nosso ponto central, o adultério feminino, e por isso a obra foi lida. Na época, estava muito focada no adultério e não percebi várias outras coisas do romance.

Agora, o livro foi o escolhido da vez do Clube de Leitura da Set Palavras e foi uma ótima oportunidade de retomar o texto e deixar que as nuances do livro pulassem à minha frente com toda a intensidade. Até comentei com o Valter que, desta vez, os personagens estavam mais maldosos. Ao terminar, o sentimento foi de ter lido um grande livro. E deu, ainda, vontade de ver três dos filmes baseados nele: As ligações perigosas, Valmont e Cruel Intensions. Vou trabalhar nisso.

O livro foi escrito em 1782, de forma epistolar. Não há um narrador, não há um "eu" que toque o romance. Cada personagem é responsável por sua própria narrativa. Isso é muito bacana, porque cada carta tem um estilo próprio, cada autor tem uma forma diferente de escrever e de narrar suas aventuras. Também é pelas cartas que as personalidades são construídas, e é fácil ver que é mau, que é ingênuo, quem é manipulável.

Os personagens principais são o Visconte de Valmont e a Marquesa de Merteiul. Os dois foram amantes e mantém um contato bem próximo. Gostam da boa vida e das intrigas, e não se intimidam quando surge a oportunidade de uma vingança. É pelas ações dos dois que a trama é urdida. Ainda estão no centro da ação a jovem Cécile de Volanges e seu ~namorado~, o Cavaleiro Danceny, e ainda a Presidenta de Tourvel. Costurando daqui e dali, Valmont e Merteiul fazem com que os destinos das outras três personagens seja traçado, em um caminho sem volta.

As relações perigosas é um romance denso. Achei difícil a leitura engrenar nas primeiras 20 páginas, nas duas primeiras vezes em que li. Mas depois, tudo flui e fica impossível desgrudar do livro. É impressionante ver como a maldade de Valmont e Merteiul traz consequências graves para a vida de quase todos os outros personagens da história. Enfim, é um romance maravilhoso, que faz pensar demais sobre as nossas relações sociais e como os atos podem destruir reputações. Mesmo hoje, quando a vida em sociedade não é tão regrada quando na França à época do livro, é muito fácil fazer com que a reputação de uma pessoa seja jogada fora. E, sendo verdade ou não um boato, é muito difícil fazer com que as pessoas se esqueçam do que foi fofocado.

Curioso que as notas do editor e do autor, no pé de página, façam referência a um livro de memórias de Cécile de Volanges, mas não consegui encontrar mais nenhuma obra do autor. Se alguém souber de algo, me avise, por favor.

P.S.: tentarei, a partir de agora, voltar a fotografar os livros que leio :-)

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...