sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Livro: O oceano no fim do caminho

Não sou boa leitora de Neil Gaiman. Mas depois de O oceano no fim do caminho, resolvi que lerei mais do autor. O livro é muito bom.

O personagem principal não tem nome. E está num momento de profunda tristeza, em um velório. Não é possível saber quem morreu, mas pelas pistas, eu acredito que seja a esposa dele. Desamparado com a morte e com a falta de perspectiva de vida, ele deixa o velório e vai de carro até uma cidade próxima, procurando o lugar onde morou até os sete anos. E as lembranças da época vão invadindo sua mente. Ele vai até uma propriedade rural próxima do lugar onde ficava a sua casa e se senta em frente ao lago. Mas na verdade, o lago não era só um lago. Era um oceano. O oceano em que ele e Lettie, a vizinha um pouco mais velha e muito mais esperta, buscavam conforto para as durezas da vida.

O menino tinha uma vida aparentemente tranquila, até seus pais enfrentarem problemas financeiros. Ele foi, então, obrigado a mudar de quarto para dar lugar a um hóspede, que ajudaria nas despesas da casa. Mas o hóspede veste sua melhor roupa e se mata no carro da família. Em seu primeiro confronto com a morte, ele começa a perceber que a vida não é uma brincadeira qualquer. Enquanto os adultos resolvem as questões do suicídio, o menino fica com Lettie.

O quarto é mais uma vez ocupado. Ursula, a nova moradora, passa a ser, também, babá do menino e de sua irmã caçula, enquanto a mãe deles arruma um emprego para ajudar nas economias da casa. O garoto sente que há algo errado com Ursula e, mesmo sem entender o que é, começa uma batalha de vida e morte contra sua influência nefasta. Junto a Lettie, ele vai enfrentar vários perigos, monstros, bichos, situações desesperadoras apenas para proteger sua família. E, assim, vai crescer, mesmo sem entender que o oceano que ficava no fim do caminho, na propriedade de Lettie, mesmo tão pequeno, podia abraçar o mundo.

O livro é uma alegoria linda sobre a infância, sobre crescer e vislumbrar um mundo adulto bastante espinhoso, cheio de dissimulações e violência. Dá vontade de chorar, dá pra se revoltar, dá medo, dá frio na barriga, dá desespero.

E dá pra entender o motivo do personagem principal ter fugido do velório para visitar o oceano após 40 anos longe dele.


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...