sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Livro: Entrevistas com Francis Bacon

Nunca tinha ouvido falar de Francis Bacon, o artista inglês. Eu só tinha ouvido falar do Francis Bacon filósofo. Mas aí decidi fazer uma disciplina de Estética em que o homenageado foi justamente o pintor inglês do século XX, Francis Bacon. O viés é por Gilles Deleuze, mas isso é tema de outro post. Para facilitar a compreensão do trabalho do pintor, veio o livro Entrevistas com Francis Bacon, de David Sylvester.

O livro é uma série de entrevistas, realizadas de 1962 a 1986. Sylvester e Bacon eram amigos e as entrevistas são bem informais, em íntimas. Bacon fala sobre seu método de trabalho, suas obsessões, suas inspirações, a busca pelo grito, a forma do quadro dada pelo comportamento da tinha a óleo sobre a tela, os trípticos, a questão da figuração.

O livro ajuda muito a entender a obra de Bacon. Por mais que Sylvester tente arrancar dele uma interpretação mais psicanalítica da obra, ligando sua infância, seu pai, a homossexualidade, Bacon escapa pela tangente e não dá margem para esse tipo de leitura. Ele se foca apenas em sua obra e em suas questões técnicas.

O livro é ilustrado com obras de Bacon e seus detalhes. É possível ver algumas questões técnicas ali, nas telas. E observar mais de perto - se é que a página em de um livro, ainda mais em P&B, permite essa proximidade - as formas, as linhas, o fundo, a figura.

A frustração é perceber que havia um quadro de Bacon no MoMA. Passei por ele, olhei e segui meu caminho, sem me tocar. Afinal, eu não conhecia Francis Bacon.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...