domingo, 16 de fevereiro de 2014

Livro: Cem anos de solidão

Um dia, há quase dois anos, listei alguns livros que todo mundo tinha lido, menos eu. Ulisses encabeça a lista. Já comecei a ler duas vezes e amei o livro, mas não consegui me dedicar como queria, como seria o certo. Por isso larguei. Amei até o pedaço que li e um dia vou vencer essa barreira e ler de novo.

Cem anos de solidão vinha em segundo lugar. Sempre ouvi falar do livro, sempre me recomendaram, sempre disseram que eu iria amar e tal. E eu morro de medo dessas coisas que todo mundo fala, que todo mundo ama. Porque é sempre mais fácil a gente se decepcionar com coisas incensadas demais. O fato é que protelei a leitura até ganhar o livro de presente. E eu só ganhei porque comentei com o Paulo que não tinha lido ainda. No mesmo dia ele me deu a edição nova, da Record, com capa dura avermelhada. Muito linda!

O último encontro do Clube de Leitura Set Palavras de 2013 decidiu que a leitura seguinte seria de um autor e não de uma obra específica. Gabriel García Márquez foi o escolhido e eu logo puxei os Cem anos de solidão pra mim. E iniciei a leitura com um pouco de receio e bastante vontade de tirar o livro da lista que comentei no primeiro parágrafo deste texto.

Cem anos de solidão conta a história de José Arcádio Buendía e Ursula Iguarán, um casal de primos que se casam e, por medo de terem filhos com rabo de porco, devido ao parentesco, não consumam o casamento. Esse fato dá origem a uma tragédia e, para fugir de um fantasma, empreendem uma viagem de quase dois anos para fundar uma nova cidade. E assim nasce Macondo, um mundo bem diferente, cheio de delicadezas e singularidades. José Arcádio e Ursula acabam consumando o casamento e seus filhos, afinal, não nascem com rabo de porco.

E a vida dessa família, cada história, cada personagem, cada trama paralela, tudo traz uma novidade, uma coisa fantástica, um desdobramento inusitado. A forma como o Gabo narra a história é super envolvente. É difícil terminar um capítulo sem vontade de mergulhar no próximo. E ficar mais próximo ainda dessa família. Entender a força de Ursula, a curiosidade científica de José Arcádio, os mistérios de Melquíades, a dor de Amaranta, a paixão de Rebeca, o jeito "pra dentro" do coronel Aureliano, o fanatismo de Fernanda, o jeito invisível de Santa Sofía de la Piedad, os mistérios de Pilar Ternera, o desprendimento de Petra Cotes e as particularidades de todos os Aurelianos e Arcádios dessa história.

E o final... que fim maravilhoso para a saga dessa família! Que fim digno, honesto com a história, um verdadeiro presente. Realmente, faltava esse livro na minha lista de lidos. Mas, como diz Tia Analista, tudo a seu tempo. Talvez eu não tivesse aproveitado tanto a leitura se ela fosse feita há mais tempo.

A edição nova da Record tem o discurso de Gabo quando ganhou o prêmio Nobel de Literatura (e é um texto lindo) e a introdução escrita por Eric Nepomuceno. Esse texto foi bem bacana para contextualizar a obra e apresentar a vida do autor. E o melhor: vem o mapa de personagens. Todo mundo me dizia pra ler o livro anotando o nome dos personagens. Marquei a página do mapa com um post-it e volta e meia ia lá conferir os nomes. Porque são tantos Arcádios e tantos Aurelianos que era comum, mais pro final da história, eu me confundir.

Atualmente, tenho doado os livros que termino de ler (ou senão serei obrigada a sair de casa em pouco tempo, por falta de espaço pra mim), mas este continuará na minha estante. Ao lado de tantos outros que mexeram muito comigo.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...