segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Livro: Azul da cor do mar

Definitivamente, não vai dar pra fazer um registro desapaixonado de Azul da cor do mar, da Marina Carvalho. Primeiro porque estou me consolidando como fã da autora. Depois porque eu conheço a Mariana, como já contei antes, e esse fato influencia, sim, nas escolhas das pessoas. Azul da cor do mar é o terceiro livro ela que eu leio. O primeiro foi Simplesmente Ana e o segundo, Ela é uma fera!. O terceiro motivo é que o livro fala de um universo que eu amo, que é o do jornalismo. E foi fácil voltar no tempo, no meu período de faculdade, enquanto lia.

O livro conta a história da estudante de jornalismo Rafaela Vilas Boas, uma aluna exemplar que ganha uma oportunidade incrível: estagiar no maior jornal do Estado, o Folha de Minas. Mas não é um estágio qualquer: Rafa vai para a editoria de jornalismo investigativo e vai ficar na cola de Bernardo, um jornalista cheio de prêmios e que não vê com bons olhos virar "babá" da estudante. Rafa vai ter que lidar com esse parceiro arrogante e impaciente e ainda com uma série de situações típicas do trabalho de uma redação, que fazem a adrenalina ferver. E ainda tem o jornalista de esportes, tão presente e simpático; a equipe da editoria de investigação; as amigas; os irmãos.

Rafaela ainda escreve nas horas vagas, retomando sempre uma história que a marcou quando criança, em um período de férias em Iriri, no Espírito Santo. Da varanda da casa da avó, ela vê um garoto mais velho passar de bicicleta com uma mochila xadrez nas costas. Rafa fica encantada com o garoto. Um encanto de criança, uma admiração que aumenta na única oportunidade em que ela vê os olhos do menino: são azuis da cor do mar. Após esse dia, ela nunca mais o vê, mas alimenta a vontade de encontrar de novo aqueles olhos azuis.

Entre as situações do trabalho, que fazem Rafa amar ainda mais o jornalismo, as brigas com Bernardo, a briga com uma de suas amigas e a cobrança e proteção dos irmãos, ela vai descobrindo que é preciso jogo de cintura pra ser jornalista. E que, para crescer, é preciso resolver as pendências do passado e se abrir para o novo.

O livro é uma delícia de ler. Como eu já tinha comentado antes, a Marina escreve muito bem, com muita fluência, e faz o leitor se envolver na narrativa. Fiquei super envolvida. Esperei o livro chegar (comprei na pré-venda e ele custou a ser entregue em BH) e, quando ele apareceu em OP, trazido pelo Leo, deixei de lado o texto super pesado de filosofia que era pra ser lido "pra ontem". Mergulhei de cabeça, das 17h até o começo do outro dia, sem parar pra nada. Terminei a leitura à 1h40 com uma sensação tão gostosa, tão saudosa...

Fico feliz demais pela Marina, pelo sucesso que ela está fazendo, que é mais do que merecido.

Engraçado que o livro me fez lembrar de várias coisas dos quatro anos em que cursei jornalismo. Por exemplo que, naquela época, os estágios nos grandes jornais eram raros e festejados como oportunidades únicas. No sétimo período tínhamos uma disciplina em que cada grupo de alunos publicava duas páginas de matéria no Estado de Minas e duas no Hoje em Dia. Foram as primeiras matérias assinadas da minha vida em grandes jornais. Antes, textos meus já tinham sido publicados sem assinatura (lembro de um release que fiz para um cliente do estágio, publicado na íntegra e assinado por uma jornalista do jornal, que gerou alegria pro cliente e revolta em mim) ou em jornais menores, de bairro ou da própria faculdade. Ou ainda que - ao menos era a minha proposta - era imprescindível aceitar qualquer oportunidade de estágio, trabalho voluntário ou sei lá o que aparecesse para aprender bastante. Isso me fez participar de coisas muito bacanas e me trouxe um bocado de experiência.

Azul da cor do mar também me lembrou, pelos nomes dos personagens, de pessoas com quem convivi na PUC. Em especial os dois jornalistas com quem a Rafa trabalhou, Maurício e Fernando. Os dois professores dessa matéria com as páginas do Estado de Minas e Hoje em Dia eram o Maurício Lara e o Fernando Lacerda, dois profissionais incríveis que ensinaram - e ainda ensinam - muitas coisas bacanas pra muita gente. Também a professora da Rafa, a Sandra Pires, me fez lembrar da Sandra Freitas e da Sandra Tosta, duas professoras que foram muito importantes na minha jornada na faculdade. E outros nomes ao longo da narrativa me lembraram pessoas da nossa turma, da turma da TV, dos estágios que eu fiz. E O Marco, o jornal laboratório da Rafa é quase o Marco, jornal laboratório da PUC. Escrevi pouco pra ele, três matérias só, se me lembro bem. E também acabei me recordando do ano e meio que trabalhei na PUC-TV e de tudo o que aprendi por lá (especialmente que trabalhar em TV, nunca mais - ou só em caso de extrema necessidade).

Então, foi com o coração leve que terminei de ler a última página e fechei o livro. Pra mim, o melhor dos três da Marina, talvez por ter mexido com tantas coisas do meu baú de memórias.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...