sábado, 4 de janeiro de 2014

Livro: Reparação

Fazia muito tempo que eu queria ler esse livro. Muito tempo mesmo. Ainda mais depois que o filme foi lançado. Mas tive que esperar alguns anos. Agora calhou e pronto, missão cumprida.

Reparação é a história de uma família inglesa nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, no início do verão de 1935. Eles moram em uma grande casa do campo. O pai é um funcionário do governo e está sempre fora, trabalhando. A mãe vive com crises de enxaqueca, fechada no quarto. Os filhos, Leon, Cecilia e Briony estão cada um por si. Leon trabalha em Londres, em um banco. Cecilia terminou a faculdade e não sabe que rumo tomar. Briony, a caçula, tem 13 anos e descobriu que quer ser escritora. Ainda estão na casa os primos Lola, de 15 anos, e os gêmeos Jackson e Pierrot, filhos de tios que estão se divorciando. Paul Marshall, amigo de Leon, também está lá, assim como Robbie, o filho da faxineira.

Enquanto Cecilia e Robbie descobrem que a relação de amizade distante que tinham mudou muito, Briony deixa sua imaginação solta observando os movimentos da casa. E algo que ela vê começa a formar um enredo em sua cabecinha de criança. Seguem-se uma série de mal-entendidos que vão culminar num crime existente e num crime inventado. E as consequências daquele verão de 1935 vão acompanhar esses personagens por toda a vida.

O autor, Ian McEwan, foi muito feliz ao criar a história e, com ela, manipular de forma magistral o sentimento do leitor. Somos levados por uma prosa fluida e gostosa, um texto rico e simples, fácil de ler e difícil de largar. A trama vai envolvendo, as ideias sobre o futuro de cada personagem vão surgindo e, ao final, tudo muda. Fica aquele sentimento de vazio, de amargor; uma vontade enorme de rever a nossa própria vida para analisar cada passo dado, cada consequência, cada forma sutil em que o mal se instaura em nós e se espalha por aí. O "sem querer", que muitas vezes usamos como desculpa, mas que pode ter um efeito devastador em outras vidas, em outros tempos.

Foi um impacto forte. Daqueles que também dão vontade de ler toda a obra do autor.

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...