sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Livro: A vida é sonho

Don Pedro Calderón de la Barca foi um poeta e dramaturgo espanhol do século XVII. É um dos grandes nomes do teatro clássico e sua peça A vida é sonho é uma das mais importantes do período. Na época, era comum pensar que a vida era um sonho, que o mundo era uma representação, porque a verdade estava fora do mundo, estava em Deus. E Calderón escreveu, ainda, mais uma peça com um título que tinha tudo a ver com o seu tempo: O grande teatro do mundo. 

Em A vida é sonho, o personagem principal é Segismundo. Filho do rei da Polônia, Basílio, Segismundo nasceu sob perspectivas nada auspiciosas. Sua mãe havia sonhado que ele seria um tirano e faria muito mal ao reino e aos súditos da Polônia. Ela morre no parto mas, antes de morrer, pede a Basílio que impeça o filho de assumir o reino. Basílio, então, leva o bebê para uma torre afastada, onde a criança é criada como prisioneira, sem saber de sua origem nobre nem ter contato com outras pessoas, a não ser Clotaldo, um velho encarregado de o vigiar.

Muitos anos depois, Basílio está arrependido de ter usurpado o trono do filho. E resolve fazer um teste: dopa Segismundo e o leva, desacordado, ao castelo. Quando acordasse, o séquito real deveria agir como se Segismundo fosse mesmo o rei e que as lembranças de sua vida na torre seriam apenas sonho. Se o príncipe agisse bem, seria conduzido ao palácio real com todas as honras. Se o sonho da rainha se concretizasse, ele seria levado de volta à torre.

E é claro que, ao se ver como rei, Segismundo acaba tendo um comportamento inadequado. E, ao acordar novamente na torre, acaba se perguntando o que é a vida, afinal: se ela é sonho, se o sonho é real. Esse monólogo, no fim do segundo ato, é o ponto alto da trama. E ela ainda tem muitas outras revelações.

Como todo teatro, A vida é sonho é de leitura rápida. Mas não se engane; a leitura é densa e faz pensar sobre a vida e sobre o mundo. Entrou pra lista dos favoritos.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...