sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As últimas da Cuca

Contei aqui que Cuca tá perdendo dentes. Quando contei isso, ela tinha perdido um dentinho só. Agora, já se foram três incisivos e o último ainda está lá, mas super molinho. É muito triste ver isso acontecendo. Pelo menos ela ainda tem os dentes de trás e pode continuar a comer a ração de sempre.

Outra novidade com relação a ela foi o dia em que encontramos o Mateus, priminho do Leo. Mostramos pra ele uma foto da Cuca e ele logo perguntou como a cachorrinha se chamava. Quando eu falei Cuca, ele fez que não com a mão e disse que Cuca é um nome muito feio, é o nome do jacaré do Sítio do Pica-pau Amarelo. E que era pra gente mudar de nome. Aí eu disse que ele iria escolher o nome novo da cachorrinha. Agora, a Cuca chama Sofia, segundo o Mateus.


Mas a última da Cuca é mais extensa.


Moro uma casa que teve construção provável no  fim do século XIX e que, como toda casa velha, está sujeita a infestação de bichos. É comum ter lagartixa, barata e rato. Mas os ratos sempre ficaram no andar de baixo, na entrada do porão. No máximo, iam na cozinha comer banana. 


Há dois anos, um rato veio pro meu quarto. Escondeu atrás do guarda-roupa, comia a comida da Cuca e tava lá, de boa, até a gente descobrir e chamar alguém pra matar. A sorte é que a casa tava em obras e os pedreiros resolveram o problema. 

Um domingo desses, Leo foi tomar banho por volta das 11h. Quando ele voltou pro quarto, abriu a gaveta de cuecas e meias e um novo rato nojento tava lá. O bicho assustou, pulou e se escondeu. Leo me chamou e lá fomos nós, munidos de vassouras, tentar achar o bicho. Cuca, claro, ficou de fora do quarto, doida pra entrar. Mas eu não queria ela lá, imagina ela tendo contato com ratos!!!

Mexemos pra lá e pra cá e nada de encontrar. Resolvemos, então, mexer no armário do Leo e limpar a sujeira. E foi engraçado notar que o rato passeou no armário no sábado à noite, pq foi o único dia em que a porta do armário dormiu aberta. E no sábado à tarde Leo mexeu lá, escolheu roupa e tal e nada de ver vestígio de rato. 

Uma hora o bicho apareceu. Eu gritei, ele correu, escondeu de novo. Leo e eu resolvemos tirar do quarto tudo o que fosse móvel leve (cadeiras, a escadinha da Cuca, cesto de roupa suja... qualquer coisa que pudesse ficar no caminho ou atrapalhar um móvel pesado de ser arrastado). E nada do bicho. 

Fomos almoçar, voltamos, Cuca pôde entrar no quarto. Continuamos a tirar coisas do quarto (e foi bom, pq nessa, tiramos dois sacos de lixo de 50 litros com roupas e sapatos pra doação). Aí Cuca começa a cheirar o pé da minha escrivaninha. Ficou um tempão cheirando, depois cheirou em volta e voltou pra escrivaninha andando pé-ante-pé, querendo não fazer barulho, e APONTOU, igual cachorro de desenho animado

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Juro pra vocês, ela parou assim!

Acontece que o pé da minha escrivaninha é fechado pra fora e aberto pro fundo. E o rato estava lá. Aí, colocamos a Cuca na cama, puxamos a escrivaninha e Leo conseguiu vassourar o rato. Mas como o bicho é safo, ele correu e, pela primeira vez, vi ele inteiro. Juro, era o pai de todos os ratos. O maior que já vi. Nojeeeeeento! E, como todos os ratos, vampiro-assassino-velociraptor. Ele foi pra trás do guarda-roupa e eu dei um ataque histérico. Leo, com toda calma do mundo, me disse que eu não poderia ficar lá. Peguei a Cuca e saí. Fui pra janela de outro quarto conversar com a vovó. De lá a gente escutava o Leo dando pancadas e mais pancadas. 

Aí, uma hora, eu olho pro lado e vejo o rato pulando a janela do meu quarto. 

Dei um berro daqueles. 

Ele caiu no meio da rua e correu pro meio-fio. Ensaiou que ia subir na parede lá de casa de novo, mas desistiu e desceu a rua. 

Ufa!!!

Aí fomos dar biscoito pra Cuca e agradecer. Porqque a gente nunca ia pensar nesse esconderijo pro Dom Raton. Limpamos o quarto todo e tiramos tudo da escrivaninha. Pegamos um martelo e tiramos o tampo do pé, na frente, pra evitar que outros bichinhos se escondam ali. 

Foi isso!!! Cuca merece todas as homenagens. Ela tá com catarata dupla, sem olfato direito (se estivesse bom, ela teria percebido aquele primeiro rato), meio surda, com dor na coluna (por isso a escadinha) e sem três dentinhos da frente... E mesmo assim, se não fosse ela, estaríamos com o rato lá até hoje. 

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Aline, que prefere ser chamada de Lile.
Ou de Nine...