domingo, 3 de novembro de 2013

NY - erros, acertos, dicas e curiosidades

Vou juntar aqui o máximo de informações sobre a viagem. Vai que ajuda alguém (não é, Bel?)...

Planejamento - Planejamento serve como um guia. Não é pra ser seguido à risca. Aliás, seguir um plano à risca pode gerar um estresse sem tamanho. Fizemos nosso planejamento pra viagem a Nova York sabendo que seria só uma ideia, que poderíamos mudar tudo a qualquer tempo.

Nosso primeiro acerto foi justamente fazer o planejamento. Porque de cara descartamos o que não queríamos fazer. E, sim, não vemos a menor graça em visitar a Estátua da Liberdade e fazer outras coisas que todo mundo acha o máximo. Fizemos justamente o que queríamos e nos divertimos muito.

Como tínhamos pouco tempo (só oito dias), ter planejado foi uma mão na roda. Depois de jogar tudo no Evernote, passamos vários dias discutindo o que fazer. O que era prioridade, o que podia ser que sim e o que tudo bem não fazer. Daí saiu um plano dia a dia, que foi impresso e colado no meu caderninho Cavallini. Andei com ele pra todos os lados. Além dos endereços e telefones úteis, tinha tudo que a gente queria fazer, a lista de coisas pra trazer pras pessoas (presentes e encomendas), estimativa de gastos, dicas sobre as gorjetas (e aqui a dica é, na hora do planejamento financeiro, incluir uma estimativa de valores pras gorjetas, seja nos bares e restaurantes, seja pro táxi e outros serviços, seja no hotel).

Caderno com os planos e o mapa da cidade, imprescindíveis

Banco do Brasil e Travel Money - Estudamos muito qual a melhor forma de levar dinheiro. Optamos por poucos dólares (cada um levou cerca de U$500 em notas) e o restante em plástico. A primeira opção foi nós dois comprarmos o Visa Travel Money. Leo logo adquiriu o dele pelo Banco Itaú. Eu fiquei enrolada com o Banco do Brasil de Ouro Preto que, além de não ter câmbio (nem parece que essa cidade é Patrimônio da Humanidade e que recebe milhares de turistas estrangeiros...), não me atendeu a contento para marcar a ida a uma agência de BH com câmbio. Sim, é preciso ligar pro seu gerente e pedir pra ele que marque uma hora pra você numa agência de outra cidade. Ele ainda precisa mandar uma carta pro gerente da outra agência. Acabei desistindo de fazer meu Travel Money lá por conta dessa burocracia burra. Quase fiz numa casa de câmbio, mas me falaram que era possível usar o cartão internacional pedindo pro gerente bloquear a função crédito e abrir a função débito. Pra começar, a pessoa que me atendeu no Banco do Brasil disse que isso não era possível, mesmo que o site do banco diga o contrário. Tentei ligar pro gerente e falar sobre isso. Ele me encaminhou pra mesma pessoa que me atendeu antes, que disse que se enganou e que faria a liberação tal como eu pedi (crédito bloqueado, débito liberado). Já em NY eu descubro que a mocinha liberou só o crédito e por apenas dois dias. Meu cartão não era aceito em lugar nenhum! A vantagem é que tem uma agência do Banco do Brasil em NY. A pessoa que me atendeu lá viu o erro e corrigiu.
Mas como gato escaldado tem medo de água fria, passei a fazer saques no BB (fica na rua 42, quase com a 5ª avenida). Foi a melhor cotação do dólar durante toda a viagem.
E como a moça do BB aqui de OP errou, o que eu não queria aconteceu: as primeiras compras que pude fazer antes do cartão ser bloqueado bateram como crédito. Surpresinha na volta pra casa, né?
A dica é usar menos o cartão de crédito porque o IOF está bem alto. O Travel Money, mesmo sendo mais caro pra comprar dólar, segura a onda com muito mais tranquilidade.

Metrocard - Em todos os lugares que pesquisamos, vimos a dica de comprar o Metrocard para uma semana, caso a estadia fosse para mais de três dias. Nos programamos pra comprar mas, olhando o mapa (além do mapa em papel, criei um no Google Maps com todos os lugares que queríamos ir), vimos que tudo era mais ou menos perto. E como gostamos de andar (e eu acho que sem andar não se conhece bem uma cidade), optamos por não comprar o Metrocard de sete dias. Acabamos usando o metrô por cinco dias. E, fazendo as contas, pagamos muito mais caro por viagens individuais. A passagem é U$2,75. O Metrocard para sete dias é R$ U$30. Gastamos aproximadamente U$50 por pessoa. Todas as informações do metrô e do Metrocard estão neste link. Com o Metrocard de sete dias ou para o mês só é preciso esperar 18 minutos entre uma passagem e outra.
O Metrocard dá acesso às estações do metrô. Uma vez dentro delas, você pode até brincar de passear. Enquanto estiver dentro de uma estação, você tem acesso a qualquer trem.
Vale a dica de andar com um mapa do metrô e das linhas de ônibus. O verso do mapa destacável do guia Lonely Planet, que usamos, tinha os dois mapas e super facilita a vida.
É importante saber que os ônibus só aceitam pagamento em moedas ou em Metrocard. E que não adianta pagar em dinheiro, só moedas. A passagem de ônibus é U$2,50.

Gorjetas - Como disse acima, fomos preparados pra gastar uma boa grana em gorjetas. Todos os serviços lá exigem ou esperam o pagamento de gorjetas. Separamos U$200 do orçamento para isso. Parece muito, mas deu com folga e não nos deixou apertados. A gorjeta é calculada em porcentagens do valor final do que você comprou ou consumiu. Em táxis, a norma é 15%. Para carregadores de malas, U$1 por mala carregada. Para as camareiras, o normal é U$2 por dia (é só deixar na mesinha antes de sair). Serviço de quarto, U$1 ou U$2, dependendo da rapidez do atendimento. Em restaurantes, em geral, 15% é o suficiente. Nesses locais, as compras em cartão de crédito trazem uma pegadinha. Você entrega o cartão ao garçom e ele volta com a conta para você assinar. Você deve preencher o campo em branco escrito TIP ou GRATUITY com o valor que deseja dar de gorjeta (em algumas contas, no rodapé vêm os valores sugeridos e você pode escolher. Após preencher, você soma o valor da conta com a gorjeta e escreve no campo de total o valor final. Quando entrega o recibo, o garçom se encarrega de fechar a conta com o seu cartão, sem que você precise passar cartão novamente. A pegadinha é que, se deixar o campo da TIP em branco, o garçom podem preencher como quiser. Não que isso aconteça sempre, mas há casos. O melhor é se prevenir.

Impostos - Ao contrário do que acontece aqui no Brasil, os impostos não vêm inclusos nos valores finais de compras. Você viu, sei lá, uma bolsa por U$100. Aí você vai pagá-la e saca uma nota de cem. Mas o valor será maior, será em torno de U$109. Porque os impostos são calculados só no caixa. Em Nova York é cerca de 9% de cada compra. Itens de vestuário estão isentos se a compra não passar dos U$100. Um dos motivos pra escolhermos ir ao Jersey Gardens em vez do Woodbury Outlet foi justamente a ausência de impostos. Nem só porque pagar impostos é bem chatinho, mas também porque fazer essas contas na hora das compras é um saco.

Táxi - Só pegamos táxi uma vez: no trajeto do hotel para o aeroporto JFK. O preço desse traslado é fixo, mas ainda é preciso pagar os pedágios e dar a gorjeta. Fica em torno de U$70. O motorista que nos levou foi o Abdou Ndoye, um cara muito engraçado, do Senegal. Ele nos perguntou de onde éramos e quando falamos que éramos do Brasil e que não éramos de São Paulo nem do Rio, mas de Minas Gerais, ele perguntou se éramos de Três Corações. Falou que é um entusiasta do Brasil e apaixonado com o Pelé. Por isso ele sabe de Três Corações. Ele disse a escalação da Seleção Brasileira de 1970 e ainda sabia o nome do time que o Ronaldinho Gaúcho joga hoje (Galo!!!!). Também nos contou que é muçulmado, nunca bebeu uma gota de álcool e acha as mulheres brasileiras muito desinibidas, especialmente no carnaval. Pra quem se interessar, o contato dele é abdndo@aol.com ou 201-515-1362.

Encomendas - graças aos céus os meus amigos são bem bacanas e não ficaram pedindo coisas. Porque, vamos combinar, é um saco perder tempo procurando coisas pras pessoas. A principal encomenda que tive foi trazer lactase pra uma amiga. É bem mais barato comprar lá. E como tinha uma farmácia em cada esquina, foi super tranquilo achar e não ocupou lugar na mala. A outra foi um jogo de RPG pro Rafael, meu antigo psicólogo. Também foi fácil de achar. O trabalho foi trazer, porque não coube na mala. Vim com ele na mão. Mas o Rafael foi super fofo indo pegar o jogo no aeroporto, tirando de mim o trabalho de levar pra ele.
Minha dica é: só traga o que for fácil de achar, que não vai te dar trabalho (seja pra procurar, seja no pagamento ou que traga problemas com a receita federal - tem gente que esquece que certas coisas são taxadas aqui no Brasil, quando você chega), que não vai encher a sua mala e te impedir de trazer o que você quer. Leo tinha um encomenda também e, por conta dela, deixou de trazer umas quatro garrafas de cerveja. E eu ainda paguei o pato, porque nosso combinado era que eu não traria garrafas na mala, mas precisei trazer pra que a tal encomenda do Leo coubesse na mala dele.

Presentes - Antes de sair, listei no meu caderno quais seriam as pessoas que presentearíamos e também o tipo de presente que traríamos pra cada um. Mudamos de ideia algumas vezes. Por exemplo, eu traria canecas pro pessoal do trabalho. Mas como tivemos o tal problema das malas lotadas com a encomenda que deram pro Leo, tivemos que mudar na última hora. O presente do pessoal do trabalho ficou meio chulé justamente porque não tínhamos onde colocar o que queríamos. Algumas coisas não conseguimos achar e tivemos que substituir. Mas foi tudo tranquilo. E, vez ou outra, achamos uma coisa que era a cara de alguém que não estava na lista. A regra era trazer só se não ocupasse espaço e não nos trouxesse problemas.

Brasil - Além do cara do táxi, pelo menos umas quatro pessoas com quem conversamos falaram muito do Brasil. Em geral, pelo futebol. Mas também pelo Rio de Janeiro e por Floripa. Foi uma forma de iniciar a conversa de um jeito menos tenso. E mesmo que a imagem das mulheres brasileiras não seja lá essas coisas lá fora, o pessoal com que conversamos parece gostar bem daqui.

Judeus e a tatuagem - Estivemos em NY no período do feriado Succot, um feriado judaico de vários dias, para que o povo se lembre do período em que os judeus viveram em cabanas no deserto. Em nossos primeiros dias lá vimos vários judeus com flores nas mãos. Eles estavam distribuindo essas flores para outros judeus. E quatro judeus com flores nos abordaram na rua pra perguntar ao Leo se ele era judeu. Será que a barba dele dá essa impressão???
Por outro lado, o Leo também foi abordado por várias pessoas que elogiaram a sua tattoo do braço direito e perguntaram onde ele fez. Leo ficou todo feliz.

Remédios - Levamos na mala uma pomada com antibiótico para emergências. Usamos muito em nossas bolhas, quando decidimos furá-las. Esquecemos de levar bandagens e tivemos que comprar um milhão delas (experimentamos vários modelos e tamanhos). Os relaxantes musculares foram uma mão na roda após dias e dias caminhando. Também o gel para pernas cansadas (levei o da linha Pink da Granado) foi essencial. Sempre que chegávamos da rua, após o banho, passávamos e gel e deitávamos com as pernas pra cima. Aliviou bastante. Levei também descongestionante nasal (porque eu não respiro direito mesmo tendo operado desvio de septo e hipertrofia dos cornetos) e fiz bom uso dele. Tinha também remédio pra gripe, porque Leo tava mal quando viajamos, mas melhorou logo que chegamos lá. Hoje eu levaria meias de compressão pra dormir, porque além das dores, tive várias veias arrebentadas nos pés. Aliás, as meias de compressão valem também pra viagem de avião, porque são muitas horas sentado e elas ajudam bastante na circulação.

É isso. Se lembrar de mais alguma coisa, eu volto pra postar. Depois também vou colocar umas fotos do Leo, porque o fotógrafo aqui é ele :-)

_______________
Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...