quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Livro: Risíveis amores

Estava ainda na faculdade de jornalismo quando li Milan Kundera pela primeira vez. Me lembro muito do George, que era editor de vídeos da TV universitária me falando sobre as belezas de A insustentável leveza do ser. Peguei o livro na biblioteca e ele foi tudo, menos leve. Queria muito reler. Mas nunca mais tive contato com o Kundera.

Agora, Risíveis amores foi um dos livros escolhidos para o Clube de Leitura da Set Palavras. Fiquei feliz de poder voltar a ler Milan Kundera. O livro é de contos, e cada história é impactante de uma forma. Em resumo, o livro parece ter sido escrito em torno das mentiras que usamos no dia a dia e que implicações elas podem ter em nossas vidas.

A primeira história, Ninguém vai rir, conta a história de um professor que, convidado a dar um parecer sobre um artigo para uma revista, prefere inventar uma série de mentiras a dizer que o trabalho não está bom. E essas mentiras levam a uma série de fatos que afetam seus alunos, sua namorada, sua reputação profissional.

Em O jogo da carona, um casal de namorados, em seu primeiro dia de férias, começa uma brincadeira assim que param em um posto de gasolina. Ela pede carona a ele e os dois se portam como se fossem outras pessoas, como se não se conhecessem. Mas a brincadeira sai do controle.

O conto que mais gostei foi Que os velhos mortos cedam lugar aos novos mortos. Talvez porque tenha mexido com alguns conceitos familiares com os quais não concordo mais. Ou porque, no fundo, fale sobre amarras psicológicas que nós mesmos criamos e que nos prendem por aí, quando menos esperamos.

Há ainda mais quatro contos, alguns muito legais e outros nem tanto (peguei antipatia do personagem de dois deles, o Dr. Havel). Um ponto bacana é que todos os contos trazem dados interessantes sobre a situação política da Tchecoslováquia na época da Primavera de Praga, em 1968. Risíveis amores é de 1969 e mostra bem como a situação política influenciou a narrativa do autor.

É um livro lindo, que leva a pensar muitas coisas. Impossível sair da leitura sem pensar em nossas pequenas mentiras do dia a dia.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...