quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Livro: A livraria 24h de Mr. Penumbra

Olha, quando vi a sinopse do livro (enviada pro meu e-mail pelo Leo) achei meio sem graça. O texto na capa diz: "Uma divertida e emocionante aventura sobre conspiração internacional, códigos secretos, amor platônico - e o segredo da vida eterna". Fiquei pensando que seria mais um filhote de O código DaVinci. E não me interessei por ele.

Mas acontece que o Leo tinha ouvido falar do livro num podcast (acho que foi no Brainstorm9) e foi mordido pela mosca da leitura. Estávamos no aeroporto de Confins esperando a hora do embarque e fomos na livraria. Leo viu o livro e estava pensando em levar. Como eu acho que devemos incentivar a leitura, dei o livro de presente pra ele. Saímos da livraria, sentamos, ele abriu o livro e não parou mais de ler. Ele curtiu muito, e eu fiquei muito feliz, principalmente porque ele não é muito de literatura. E eu acredito que precisamos só encontrar o tipo certo de livro pra gente pra gostar de ler.

A livraria 24h de Mr. Penumbra mistura alguns elementos interessantes. Tem mistério, tem romance, tem pesquisa e dados históricos, tem mídias sociais, tem o Google. E tem o Clay Jannon, o personagem principal, que é muito espirituoso. Clay é formado em artes e sempre trabalhou com publicidade e mídias sociais. Mas perde o emprego e acaba como o funcionário do turno da noite da livraria do título. Não é uma livraria comum. Tem pouquíssimos clientes. E funciona também como uma espécie de biblioteca. Esses livros, que Clay chama de "Catálogo Pré-histórico", são procurados por figuras muito curiosas. E Mr. Penumbra pede que Clay anote num livro de registros quem pegou qual livro e como a pessoa estava, com o máximo de detalhes possível. O funcionário começa a ficar intrigado e, com a ajuda de amigos, tenta desvendar o que está por trás dos livros mais antigos da livraria.

Parece bobo, né? Mas lá pra metade, o livro engrena em um mistério mais interessante. Que inclui grandes computadores, tipografia antiga, a prensa de livros, o século 15, museus, criptografia. Dá pra divertir um cadinho.

Clay tem tiradas ótimas. Como quando ele diz que a livraria vive vazia porque não tem obras com magos adolescentes e vampiros detetives, mas que ela é exatamente "o tipo de loja que dá vontade de comprar um livro sobre um mago adolescente". Ou quando ele compara o Google aos Estados Unidos: "ainda o maior de todos, mas inevitável e irreversivelmente em declínio". Em uma visita ao Google, Clay vê sua namorada Kat conversando com um sujeito com roupa de skatista. Ele logo conclui: "está vestido como skatista, imagino que seja ph.D em inteligência artificial". Ou quando ele fala de um certo personagem que era de um jeito há algumas décadas e se transformou em outra pessoa: "Em que momento você deveria dar outro nome a uma pessoa? Desculpe, não, você não é mais o Corvina. Agora é o Corvina 2.0, um upgrade dúbio". E quando critica a publicidade e o marketing de forma geral: "Por que as organizações precisam marcar tudo com sua insígnia? É como um cachorro que faz xixi em cada árvore que encontra".

No fundo o livro trata do embate entre os livros e a tecnologia digital. O autor, Robin Sloan, trabalhou no Twitter e certo dia (era uma terça-feira) se apaixonou por livros raros. Em dado momento, Clay diz: "Livros, antigamente, eram algo de altíssima tecnologia. Não são mais". Em outro momento, ele também diz: "Livros: chatos. Códigos: fantásticos. Essas são as pessoas que mandam na internet".

Enfim, é um livro para quem gosta de livros. Quase como uma enorme dedicatória àqueles que amam os livros e que os defendem até o fim. E, talvez mais, para quem acredita que os livros não vão acabar.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...