sábado, 28 de setembro de 2013

Livro: A casa dos budas ditosos

Quando li a Trilogia 50 Tons, fique bem brava com o livro, que, entre outros defeitos, é muito mal escrito. No texto que escrevi na época, comentei que A casa dos budas ditosos era bem melhor e, ainda, bem escrito. E deu vontade de voltar ao livro.

Ele fez parte da coleção Plenos Pecados da editora Objetiva. Ainda me arrependo de não ter lido todos os livros da coleção. Fazem parte da coleção:

- Preguiça: Canoas e marolas, de João Gilberto Noll;
- Luxúria: A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro;
- Gula: O clube dos anjos, de Luiz Fernando Veríssimo;
- Inveja: Mal secreto, de Zuenir Ventura;
- Avareza: Terapia, de Ariel Dorfman;
- Soberba: O voo da rainha, de Tomás Eloy Martinez;
- Ira: Xadrez, truco e outras guerras, de José Roberto Torero.

Li A casa dos budas ditosos, O clube dos anjos  e  Xadrez, truco e outras guerras (que foi o que eu mais gostei).

A casa dos budas ditosos é um romance narrado em primeira pessoa por uma mulher baiana de 68 anos. Ela não tem nome e isso pouco importa. Ela conta suas aventuras sexuais desde criança e é bem verborrágica, seja nas descrições, seja quando resolve pensar na vida e analisar o mundo. E ela vai desfiando histórias, algumas engraçadas, outras mais sérias, todas bem picantes. A justificativa pra escrever é que ela tem pouco tempo de vida e resolver registrar a sua história. E é uma super história.

A personagens mais marcante do livro, fora a narradora, é Norma Lúcia, melhor amiga de juventude da baiana. Ela é tipo a guia sexual da narradora, uma mulher liberal e aberta a toda e qualquer experiência. A liberdade de pensamento e ação de Norma Lúcia é de se admirar, levando-se em conta sua "posição social" e a sociedade da época. E as duas mostram que é possível ser livre, sem amarras.

No preâmbulo, o autor afirma que recebeu a história anônima e decidiu publicar. Aí fica aquela dúvida: a história é verídica? Ou é uma ficção muito bem engendrada pelo autor? De toda forma, o que vale é a experiência da leitura. E a releitura, como foi o caso agora, é ainda mais enriquecedora.

Como eu já tinha dito: quem quer uma boa história erótica ou pornográfica muito bem escrita, este livro é uma ótima pedida.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...