domingo, 11 de agosto de 2013

Livro: A metamorfose

Minha analista (ou será ex-analista) sempre me disse que as coisas acontecem na hora certa. Talvez seja por isso que só agora eu li A metamorfose, de Franz Kafka. Acho que, se tivesse lido há alguns anos, não teria sido bom pra mim.

O livro conta a história de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante que mora com os pais e a irmã. A família foi à bancarrota e Gregor é obrigado a trabalhar para saldar a dívida dos pais. A irmã caçula, Grete, é ainda jovem e muito mimada por todos da família.

Mas Gregor acorda um dia se sentindo diferente. Ele tem dificuldades de se virar na cama e percebe que perdeu a hora para o trem das sete. Faltam 15 minutos para o trem sair e ele não consegue ao menos se sentar. Ele não é mais humano, foi transformado em um inseto.

Sempre que ouvia falar do livro era isso: o homem que virou um inseto (e geral falam em barata, mas a única hora em que há uma definição é "besourão"). E eu ficava imaginando como seria o processo de mudança, como seria a vida dele antes e o que aconteceu depois. O susto inicial é que a história começa logo com a transformação. E o desenrolar da história é praticamente uma patada atrás da outra. Não acredito que seja possível ler e não se abalar com a narrativa.

O mais impressionante não é a mudança repentina de Gregor, mas a forma como todos a encaram. Ele parece sereno, julgo que até entende a reação de sua família. A dificuldade de todos em olhar para ele está sempre presente. A mãe tem problemas sérios para entrar no quarto de Gregor. E, para facilitar a vida de todos, ele se esconde, de modo que a irmã possa entrar no quarto e levar comida.

Mas a falta do provedor da família faz com que todos precisem se virar. O pai volta a trabalhar, a irmã arruma um emprego, a mãe começa a costurar. E a família ainda aluga um quarto da casa para três senhores. Enquanto isso, Gregor permanece preso em seu quarto, longe dos olhos dos forasteiros e longe da família.

O livro é curto e bem direto, é possível lê-lo em poucas horas. Mas o impacto é enorme! Fiquei dias tentando digerir aquele monte de informações e fazendo links imediatos com a história de vida da minha irmã, porque parecia estar tudo bem com ela até que um dia ela surtou. E a reação da minha família foi bem parecida (ainda hoje algumas pessoas agem como se o transtorno dela fosse passível de ser escondido, trancafiado, ignorado.

Doeu, viu?


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...