sábado, 24 de agosto de 2013

Livro: Meditações sobre a Filosofia Primeira

Esse foi um dos últimos livros publicados por Descartes, salvo engano. Ele já tinha bagunçado o mundo com a publicação de O discurso do método, em que lançou a famosa frase "penso, logo existo" (ou cogito, ergo sum). Nas Meditações ele fala sobre a dúvida lançada anteriormente e explica como a razão deve ser a base para todos os pensamentos.

Até então, o mundo tinha algumas verdades inabaláveis e elas vinham da Bíblia e dos textos de Aristóteles (São Tomás de Aquino dizia que Aristóteles era pagão, mas escreveu inspirado por Deus). Alguns filósofos começaram a questionar essas verdades. Descartes começou a questionar os sentidos. Algo que eu vejo de longe e que parece uma coisa, mas de perto é outra diferente. Ou um bastão que, ao ser colocado na água, parece estar quebrado mas, ao ser retirado da água está inteiro. Para Descartes, estava muito claro que os sentidos são enganadores.

São seis meditações que explicam como Descartes vê o mundo e como ele pensa a razão. Em duas meditações ele prova a existência de Deus. Em geral (e bem, mas bem grosso modo), ele diz que a nossa mente não pode criar algo que não exista no mundo. Mesmo que possamos imaginar um unicórnio, juntamos duas coisas que existem: cavalos e chifres. Criamos um ser que não existe baseado no que já conhecemos. E se a nossa mente consegue pensar em alguém tão bom e tão perfeito como Deus, é porque Deus existe.

Não fiquei muito satisfeita com essa explicação. Mas, vá lá, o pensamento da época era assim e essa é considerada, na Filosofia, uma das provas da existência de Deus, mesmo que não prove nada efetivamente.

A linguagem é um facilitador do livro. Descartes escreve de modo bem didático, o que faz com que seja fácil assimilar um conteúdo que é, à primeira vista, bem complexo. É bacana perceber o caminho que ele faz até decidir que os sentidos nos enganam e que devemos nos guiar pela razão. E, por mais que ele tenha sido criticado por outros filósofos e até por nós mesmos, é muito bacana demais seguir o caminho traçado por Descartes.

Li o livro pra disciplina História da Filosofia - Filosofia Moderna I e adorei.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...