domingo, 7 de julho de 2013

Livro: Íon

Este é um dos principais diálogos de Platão no que se refere à crítica da arte. É bem sabido que Platão expulsou os poetas da sua República. Mas não sejamos cruéis com Platão, ele tem uma certa razão. Ele sabia do poder da arte em hipnotizar as pessoas e, de certa forma, fazer com que elas percam o centro, que parem de pensar racionalmente. Um paralelo, pra facilitar pro lado do filósofo, seria se alguém, hoje, montasse uma república e expulsasse a mídia de entretenimento. Ou seja, não dá pra condenar Platão.

Em Ion, Platão pega pesado com o personagem título. Íon é um rapsodo, uma pessoa que recita poesias, em geral em festivais. Os rapsodos apenas recitam a obras de outros, em especial de Homero. Os aedos já eram recitadores e também autores. Ou seja, os rapsodos não tinham tanto prestígio quanto os aedos. E Ion era um rapsodo que tinha acabado de ganhar um prêmio - eram comuns, na Grécia, as competições entre algumas "profissões". E Íon estava envaidecido por ter ganho o prêmio máximo. Voltando do concurso, encontra Sócrates e inicia-se o diálogo.

Sócrates desmonta praticamente todos os seus interlocutores com bons argumentos. Em geral, ele os pega pela vaidade, e não foi diferente com Íon. Sócrates vai perguntando a Íon sobre como é o seu ofício. E Íon vai dizendo que pode recitar e comentar a obra de Homero com louvor. E o filósofo continua questionando o ofício, quase forçando Íon a confessar que seu trabalho não é lá essas coisas: ele não precisa de técnica alguma, basta a inspiração divina. Isso quer dizer que qualquer pessoa pode ser um rapsodo. Tadinho do Íon...

Platão condenou os poetas ao degredo. Ele disse que só os admitiria de volta se alguém provasse, em prosa, que eles não eram nocivos. E quem provou exatamente isso? O próprio Platão, que escreveu todas as duas obras em forma de diálogo. E os diálogos nada mais são que as ideias (sem trocadilho) de Platão sendo romanceadas.

Vale ler também O banquete, que é um diálogo lindo sobre o amor.

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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...