segunda-feira, 1 de julho de 2013

De como uma entrevista faz a gente virar a casaca

Tem gente que acha que coerência é para os fracos. Meu amigo Daniel Fernandes acha (e estou procurando um texto sobre o assunto, indicado por ele, que teria tudo a ver com o post de hoje, mas não acho...)

Em 2012, comprei no escuro um ingresso para o primeiro jogo da Copa das Confederações em Belo Horizonte. Então, não havia tabela, não dava pra saber quem jogaria. Compramos Leo e eu, meus sogros e a Flavinha, Lauro e Fabi, Nando e Camila. Ia ser um momento de diversão com amigos, independente de qual fosse o jogo.

Aí saiu a primeira informação: campeão da Oceania contra campeão da África. Ixi... Oceania??? A África tem países que fazem um futebol bonito, mas a Oceania? Ah, mas é pela diversão, é um jogo oficial internacional, não vamos na Copa do Mundo (desistimos, vamos tentar viajar), vamos com amigos, vai ser ótimo.

No início de 2013 saiu o campeão africano: Nigéria. Fiquei feliz, gosto do futebol da Nigéria e comecei a gostar muito do país depois de ler Chimamanda Adichie (falei dela aqui, aqui e aqui). Então, líquido e certo, eu torceria pela Nigéria no jogo contra o Tahiti.

Mas o mundo gira, a lusitana roda e, uns quatro dias antes da partida, vejo uma entrevista com o treinador do Tahiti. Ele explicava que o time era formado praticamente por amadores, que só havia um jogador profissional e que boa parte do time ainda estava desempregada. Que a Copa das Confederações seria a primeira vez do time numa partida fora do continente. Que o objetivo deles era não tomar muitos gols.

Sabe quando desce uma lágrima de comoção? Pois é... virei casaca na hora e declarei minha torcida eterna e oficial pelo time do Tahiti.

E fiquei surpresa de ver o Mineirão inteiro (ou quase, já que só foram 28 mil pessoas e o estádio tem capacidade para 62 mil) estar torcendo para o Tahiti. Claro que havia um ou outro torcedor da Nigéria, mas a maioria incentivava aquele time que parecia ter sido montado ontem, sem habilidade quase nenhuma.

Olha, foi lindo! A Nigéria fez seis gols e ganhou o jogo. Mas nada foi tão emocionante como ver in loco o único gol do Tahiti na Copa das Confederações. Ver o estádio inteiro vibrar com aquela bola balançando a rede adversária.

Não fui mais a campo na Copa das Confederações, não vou na Copa do Mundo. Mas mesmo se fosse, nada seria tão marcante como ver o Tahiti marcar um gol no Mineirão.

Panorâmica do Mineirão duas horas antes do início do jogo


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Aline, que prefere ser chamada de Lile. Ou de Nine...