sexta-feira, 7 de junho de 2013

Livro: A volta do parafuso

Esse livro foi um dos indicados para a primeira reunião do Clube de Leitura da Set Palavras. Dos três indicados, foi o primeiro que eu li. Só sabia que era um livro com toques de terror e, como sou influenciável, resolvi não ler à noite - como se fosse adiantar alguma coisa.

Pausa pra contar uma manotinha. A volta do parafuso foi escrito por Henry James, um escritor americano. É um clássico da literatura universal e está na coleção de Clássicos da Abril. Eu tenho uma parte significativa desses livros, de capa dura vermelha, comprados pela família na década de 1970. Sabia que tinha o Henry James lá. De fato, o volume tem duas histórias: A outra volta do parafuso e Lady Barberina. Daí a topeirinha aqui, sem pesquisar nem nada, deduziu que o livro A outra volta do parafuso seria uma espécie de continuação de A volta do parafuso. Faz sentido, não faz? Corri pra livraria e comprei o exemplar que estava sendo oferecido, uma edição de bolso da editora Hedra. Na leitura do prefácio, logo vem a informação sobre o nome do livro em inglês e que ele pode ser traduzido como A volta ou como A outra volta. Significa, na verdade, uma volta a mais no parafuso. E lá fui eu buscar o volume que tinha em casa e constatar que era o mesmo texto.... A vantagem de ter comprado é que a edição da Hedra tem um prefácio e um posfácio maravilhosos, que o livro da Abril não tem. Mas como não gosto de ter o mesmo livro duas vezes em casa, mesmo com a edição linda da Hedra, acabei dando de presente pra uma amiga. Manota contada, vamos ao que interessa.

A volta do parafuso se passa na Inglaterra. São três cenários diferentes, três narradores diferentes. Começa com um narrador sem nome, que conta sobre uma noite de colóquio numa casa de campo, com as pessoas contando histórias de terror, acontecida há muitos anos e com quase todos os participantes já mortos. Um dos presentes nessa noite, Douglas, diz que tem um relato mais terrível do que todos os já contados, mas não pode contá-lo. Precisa mandar buscar um caderno, entregue para ele pela babá da irmã. Lá, a moça narra os fatos assustadores de que tomou parte há muitos anos. O suspense do livro já começa aí: um narrador sem nome que conta sobre alguém que sabe de uma história mais assustadora.

Douglas, três dias depois, recebe o caderno e começa a ler a história de sua amiga. O relato manuscrito, ele diz, foi confiado a ele pouco antes da morte da babá. E aí começa a terceira narração: a babá, sem nome que conta o que aconteceu quando ela foi trabalhar em Bree, sendo tutora de uma linda menina, Flora, e também de seu irmão mais velho, Miles. O lugar é isolado e coisas estranhas começam a acontecer. Mais não dá pra falar.

O livro é super comentado, até hoje. Porque a história é controversa e aberta a múltiplas interpretações. Algumas delas - as que eu considero mais adequadas - têm a ver com a histeria da babá. Na época, Freud fazia estudos sobre a histeria, ainda no começo do que veio a ser a psicanálise. Não sou entendida do assunto, só sei bem por alto, mas acho que deve ser por aí. Outra coisa bacana é que o Henry James soube criar um suspense muito interessante. Porque você, como leitor, pode comprar uma das várias possibilidades de leitura, se agarrar a ela e seguir feliz. Você pode achar que a babá realmente viu fantasmas, que ela é louca, que ela só queria atenção, que ela tinha uma paixão profunda pelo patrão, que mais mil coisas e montar a sua própria história.

Foi uma delícia ler esse livro. Melhor ainda foi conversar sobre ele com o pessoal do Clube de Leitura. Porque trocar ideias sobre um livro é o melhor jeito de saber mais sobre ele.