sexta-feira, 24 de maio de 2013

Livro: Triângulo das Águas

Li para o Clube de Leitura e amei.

No início, estava super com o pé atrás, porque nunca tinha lido Caio Fernando Abreu e acabei pegando nojinho por causa da banalização dele na internet. Ok que mais da metade do que publicam como sendo dele não é. Por isso, resolvi enfrentar o livro. Acho que até por estar bem receosa é que tive uma espécie de deslumbramento.

Triângulo das águas foi escrito logo depois de Morangos Mofados, que é um dos livros mais famosos do autor. No prefácio ele fala que foi um livro de escrita fluida, mas que levou a uma revisão dolorosa. Dá pra entender isso, porque é uma leitura linda, mas muito triste.

São três contos: Dodecaedro, O Marinheiro e Pela Noite. Gostei muito de todos. Mas O Marinheiro foi o que mais me abalou. Talvez porque fala sobre solidão.

Em Dodecaedro temos doze pessoas num sítio quando alguém solta os cachorros loucos. E o medo do fim do mundo, as canecas quebradas, os beijos, os abraços, a falta de luz, as janelas fechadas, tudo isso mexe com as pessoas ali de uma maneira diferente.

O marinheiro é a história de um homem solitário que foge de qualquer contato social, mas pressente a chegada de uma visita especial, da qual ele não pode fugir. E a expectativa balança estruturas que, até então, pareciam sólidos.

Pela noite é uma história que, a princípio, parece ágil e divertida, mas é sofrida e dolorosa. Dois amigos, Pérsio e Santiago, conversam sobre tudo enquanto bebem vinho e vão de bar em bar. O passado é cruel, o presente parece sem rumo e o futuro, quase sem perspectivas.

Foi uma delícia começar a ler Caio Fernando Abreu por Triângulo das águas.