quarta-feira, 1 de maio de 2013

A história do Saci

Meu avô Ney era uma figura singular. As lembranças que tenho dele são de uma pessoa extremamente amorosa e dedicada e também muito alegre e engraçada. A figura casa com o que me contam dele. Muita gente aqui de Ouro Preto vem me falar dele, dando destaque, especialmente, para a aspirina que ele fazia (dizem que o remédio do vovô era muito melhor do que o da Bayer).

Tia Ylza estava contando, outro dia, que vovô ganhou um pequeno saci de um amigo para colocar no espelho retrovisor interno do carro. Mas vovô era desligado e os tempos eram outros. Ele costumava deixar o carro aberto por aí. E nessas, o saci foi roubado.

Pausa pra dizer que é interessante alguém roubar um saci e não roubar um carro. Outros tempos, outros tempos.

Vovô foi atrás de outro saci. E este também foi roubado. Daí, ele apelou. Comprou uma caixa com 12 sacis. O problema é que os dois anteriores tinham uma roupinha de pano. Os 12 novos vieram peladinhos. E ele queria um saci de família, bem vestido, nem que fosse com uma cueca.

Foi assim que ele apelou pra Tia Ylza. Pediu a ela pra costurar uma roupinha pro saci. Tia Ylza, que é a mágica das agulhas, resolveu fazer uma roupinha de lã. O resultado: vovô tinha um novo saci pro espelho do carro. E ele foi roubado novamente. Os outros 11 sacis foram morar na casa da Tia Ylza e, sempre que um era roubado, lá ia ela tricotar uma roupinha pro saci. Assim foi até que vovô desistiu dos sacis e sobrou só um, peladinho, num dos armários da casa da tia.

Daí eu, que não tinha uma lembrança muito nítida dos sacis do vovô, mas sabia que eles existiam, pedi a ela pra ver o tal remanescente. Ela não me mostrou. Falou que não sabia onde estava, que ia procurar, que quando encontrasse me deixava ver.

Só que, danadinha como é, Tia Ylza me fez foi uma surpresa. Ela fez a roupinha e me deu o saci vestido, super bonitinho, do jeito que a minha memória ruim lembrava. E agora ele mora no meu quarto.

Meu saci

Agora, fala sério! Tia Ylza é mesmo mágica. Dá pra ver que o bichinho é pequenininho, e ela faz esse trico mais lindo, super bem acabado! 91 anos de vida e ainda fazendo artes.