segunda-feira, 27 de maio de 2013

A carta

Meu bisavô José Procópio estava muito doente. Ele tinha sido desenganado enquanto morava em Recife com a família. Depois de ter conversado com o médico e ter um dos filhos atropelado, ele só esperou a recuperação da criança e voltou pra Minas Gerais. Deixou a família em Ouro Preto e foi para o Rio de Janeiro. Não sei o motivo dele achar que seria melhor ir para o Rio.

Ele estava lá quando mandou uma carta para minha bisavó Enoe pedindo para que ela enviasse as malas da família e arrumasse tudo para deixar Ouro Preto em direção ao Rio.

No dia seguinte, ele mudou de ideia. Enviou uma carta para a minha bisavó:




Diz a carta:

Enoe, 
Hontem te mandei uma carta pedindo para mandares as malas que ahi estão. Hoje resolvi o contrário pois o meu estado é de tal ordem que não vejo mais o que estou escrevendo e julgo impossível continuar a trabalhar. Aguardemos mais uns dias para ver se melhoro. Se não voltarei para ahi.
Saudades do Juca
Rio, 21/05/929

Ele piorou e acabou voltando para Ouro Preto, para morrer. Não sei a data ao certo, mas foi coisa de meses após ter escrito.

Vovó Enoe guardou essas e outras cartas trocadas com o marido. Tia Ylza tinha sete anos quando o pai morreu. Ela leu todas as cartas, mas esta aí em cima, em especial, a marcou. Vovó Enoe não gostava que ela ficasse lendo as cartas e resolveu jogar todas fora. Mas Tia Ylza escondeu esta e ela está chegou a mim 84 anos depois de ter sido escrita.