segunda-feira, 8 de abril de 2013

Livro: Simplesmente Ana

Nunca fui uma boa leitora de Chick-Lit, a tal literatura para mulheres. Talvez porque não consiga muito embarcar nas histórias ou porque fique apegada demais à escrita (que nem sempre é boa). O fato é que, sempre que tem um livro de Chick-Lit e outro, acabo pegando o outro, em especial se for da Agatha Christie.

Mesmo assim, fiquei muito curiosa para ler Simplesmente Ana. Primeiro porque foi escrito por uma pessoa que eu conheço, com quem convivi por quatro anos na faculdade de jornalismo. A Marina Carvalho formou comigo, mas nunca tivemos muito contato . Reconheço que a responsabilidade deve ser minha, porque não sou de fácil convivência. Depois de anos ela me achou no Skoob e começamos a conversar, ao perceber que temos a paixão pelos livros em comum. Ela escrevia no blog Instante Literário, que eu acompanhava pelo Reader. Mas como começou a se dedicar a seus próprios livros, o Instante está meio parado. Hoje, acompanho a Marina pelo site dela.

Simplesmente Ana é um exemplar muito legal de Chick-Lit. Foi muito divertido de ler. Ana, a personagem principal, tem sua vida sacudida por uma mensagem que recebe no seu Facebook. Um homem diz que é seu pai e ela, que nunca conheceu seu pai verdadeiro, vai atrás da sua história. Mas esse não é um pai qualquer. Andrej Markov é o rei de um pequeno país do Leste Europeu, a Krósvia. E ela tem de enfrentar essa nova história: a visita a um novo país, deixando para trás sua mãe, sua avó, sua melhor amiga Estela e o projeto de namorado Artur. Ela vai ficar apenas seis meses na Krósvia e lá tem de enfrentar uma nova realidade, que começa com pessoas que desconfiam dela. Um deles é Alexander, o mauricinho gostosão que é enteado de Andrej e parece querer dificultar bastante a vida de Ana. Ela fica dividida entre a vida de simples estudante de Direito em Belo Horizonte e sua nova realidade como princesa da Krósvia. Além de Andrej Markov e Alexander, Ana também conhece a tia Marieva, seus priminhos Giovana, Luce e Luka, a eficiente Irina, a delicada cozinheira chefe Karenina e a arisca Laika (delicadamente chamada de "Nome de Cachorro"). Enquanto isso, ela ainda lida com o quase namoro com Artur e uma possível nova paixão.

Simplesmente Ana me fez sonhar um bocado. Especialmente com um certo show que tem no início da terceira parte do livro. Mas também com a Krósvia, com as flores, castelos (um deles é descrito como a casa de Mr. Darcy em Orgulho e Preconceito), praias e ritos. E com Alex e seu jeito meio rude, meio conquistador. A trama me pegou de jeito e acabei lendo o livro em dois dias (isso porque tinha um casamento para ir e precisei parar). Ana é uma heroína que, mesmo sendo princesa, não tem nada do deslumbramento característico. É bem humorada, animada, não gosta de ficar parada nem presa em casa no castelo se protegendo de paparazzis. Mesmo com um pé no conto de fadas, a personagem consegue ser bem real, quase gente-como-a-gente.

Mas o que mais me fez gostar do livro foi o jeito como a Marina escreve. Além de ser bastante correto (e vamos combinar que está cheio de livro mal escrito por aí, vendendo horrores, como a trilogia dos 50 tons), é envolvente, divertido, tocante. É fácil perceber o cuidado com a preparação do texto. Talvez por não ser uma boa leitora de Chick-Lit eu não esteja sabendo comparar. O fato é que não lembro de um bom livro dessa categoria que tenha lido. Ainda que alguns me divirtam, o texto é sempre muito truncado, bem ruizinho mesmo. Mas como leio bastante outros estilos, posso comprar com eles e digo que o texto da Marina não deixa nada a dever. Fico, agora, aguardando os próximos livros dela (já são mais dois sendo escritos). E já sei pra quais amigas queridas eu vou enviar um exemplar de Simplesmente Ana logo!