sexta-feira, 22 de março de 2013

Livro: Santo Agostinho: a vida e as ideias de um filósofo adiante de seu tempo

O período Medieval sempre me encantou. Não sei exatamente o motivo, mas é uma coisa que acontece desde que eu era pequena. Quando me matriculei em Filosofia, a matéria que mais chamou minha atenção foi Filosofia Medieval. Claro que não dá tempo de ver tudo (e eu não sou Umberto Eco!!!), mas tem sido bem interessante ler sobre como pensaram esses filósofos que viam deus em todos os cantos. E, mesmo sendo católicos, conseguiam questionar algumas coisas sobre a religião. Estudei, até agora, Santo Agostinho, Boécio, Santo Anselmo e São Tomás de Aquino. Ainda falta Ockhan. Na hora de escolher o trabalho final, escolhi Santo Agostinho, porque já tinha lido alguns capítulos de Confissões e Cidade de Deus. Escolhi falar sobre o problema do Mal e acabei me deparando com dois livros. Um é O livre-arbítrio, que Agostinho escreveu para combater a seita dos Maniqueus, e este Santo Agostinho: a vida e as ideias um filósofo adiante de seu tempo, e Gareth B. Mattews.

Agostinho escreve de forma leve, e Matthews parece trazer isso para o livro. É bem fácil de ler e de entender, até mesmo nas partes em que ele escreve como lógico, analisando premissas do pensamento agostiniano. Como li para o trabalho, fiquei mais presa ao capítulo que trata do problema do Mal, em que Mattews discute como Agostinho conseguiu descrever o mundo um deus onipotente e onibenevolente e, ainda assim, com a existência do mal. Mas também tem temas como o tempo (o capítulo 11 das Confissões, que fala do tempo, é uma lindeza), fé e razão, dualismo mente e corpo e outros.

O livro é uma ótima introdução filosófica pra quem quer conhecer o santo filósofo e suas ideias, que são realmente muito bacanas. É ideal praquela pessoa que quis discutir Santo Agostinho comigo sem nunca ter lido nada dele (contei aqui, no item 1). Fala de como Agostinho viveu, o que ele buscava, como pensou e como "resolveu" alguns dos principais problemas filosóficos da época. Resolveu entre aspas porque as soluções valeram para a época dele (e dependendo da fé das pessoas, valem até hoje), mas foram contestadas posteriormente.