quinta-feira, 7 de março de 2013

Livro: Meio sol amarelo

Junto com Hibisco Roxo, comprei também este Meio sol amarelo, de Chimamanda Adichie. É uma obra que fala sobre a guerra civil da Nigéria na década de 1960, iniciada com a secessão e a criação da nação de Biafra. Terminar o livro é ter certeza de que, como a própria autora disse nesse vídeo aqui, há muitos perigos em uma história única.

No início da década de 1960, o professor de matemática Odenigbo está às voltas com suas aulas na universidade de Nsukka e com o grupo de intelectuais que discute o futuro político da Nigéria. Ele faz parte de uma pequena elite, já que boa parte do país é formada por moradores do campo, sem acesso a estudos e facilidades da vida moderna. Ele tem um empregado, Ugwu, que saiu de sua aldeia natal para servir. Ugwu é inteligente e leal, aprende rápido a cuidar do patrão e a idolatrá-lo. Odenigbo vive uma história de amor com Olanna, filha de um industrial rico e corrupto. Ela opta por abandonar a vida de luxos do pai na capital, Lagos, para ser professora em Nsukka.

Irmã gêmea de Olanna, Kainene é da vida prática. Ela gerencia as muitas empresas do pai e mantém um olhar crítico para a sociedade e para a família. Ela chama Odenigbo de "socialista revolucionário" e faz graça de tudo e de todos. Richard, um inglês que se apaixonou pela arte da Nigéria e por Kainene, dá aulas em Nsukka enquanto tenta escrever um romance sobre a arte primitiva do país.

Em meados dos anos 1960, a Nigéria está em polvorosa. O país foi criado unindo uma série de etnias num equilíbrio frágil e bastante esgarçado. Quando os ânimos se acirram, a etnia Ibo inicia o processe de secessão e funda a república de Biafra. Enquanto os pais de Olanna e Kainene fogem para a Inglaterra, as filhas ajustam suas vidas a essa nova realidade. A guerra entre Biafra e Nigéria é cruel e traz consequências para a vida de todos.

A história é baseada em fatos reais. A guerra Biafra-Nigéria aconteceu de 1967 a 1970. Chimamanda diz que quis retratar ali a suas verdades, e não os fatos da guerra. E essas verdades incluem cenas de puro terror, como assassinatos a sangue frio, estupros, família separadas pelos exércitos, desaparecimentos, fome, miséria, humilhação. A reação de cada um à guerra, pela morte de parentes, amigos ou desconhecidos, pelas barganhas para conseguir comida, a relação com o lado adversário, a humanidade (ou a falta dela) dão tons pesados, densos à narrativa. É uma leitura envolvente, mas muito difícil, porque é inevitável desenhar as cenas de terror da guerra.

"Que nós nunca nos esqueçamos.", diz a autora no fim da nota em que traz seus agradecimentos. Que nós nunca nos esqueçamos de como o ser humano pode ser cruel. Que a guerra - qualquer guerra - traz à tona nosso lado mais bestializado. Pena...