sábado, 30 de março de 2013

Doze

É dia 30 de março. Na minha agenda de 2001, estava anotado um horário e "Siciliano". Era o nome de uma livraria, que depois foi comprada pela Saraiva. E foi numa livraria que marquei o meu primeiro encontro com o Leo. O engraçado é que passamos uma semana, depois do final do curso em que nos conhecemos, trocando e-mails bem interessantes. Começou quando enviei uma mensagem para ele e para dois amigos do curso dizendo que os três tinham sido especiais pra mim e que gostaria de continuar a conviver com eles. Todos responderam e somos amigos até hoje, até sempre. Leo assinou o e-mail com "Leo da Aline". Na minha resposta, assinei "Aline do Leo". E fomos conversando até culminar no encontro.

Apesar dessa conversa por e-mail, eu sentia que não íamos ter muito o que conversar. Fiquei pensando num modo menos radical de encontrar e já beijá-lo de cara. O que eu não sabia era que ele pensava a mesma coisa. E foi assim, no dia 30 de março de 2001 que demos nosso primeiro beijo, na frente da Siciliano, logo após falarmos "oi" um pro outro. Meio desajeitado, porque eu me assustei com o piercing abaixo do lábio inferior que ele tinha acabado de colocar.

Contei um pouco da nossa história aqui. Não contei que temos poucas fotos juntos, porque eu não gosto de ser fotografada e porque tenho preguiça de fotos de casais. Mas ele gosta, então abro mão algumas vezes para termos alguns registros. E é engraçado ver como mudamos de jeito, de estilo, de peso... como superamos algumas diferenças e estamos sempre aprendendo um com o outro.






Uma das minhas favoritas

Já disse que não tinha muitas esperanças da gente continuar juntos. Ainda hoje eu me pego olhando pra ele e pensando "por que raios ele me atura?". Porque nem sempre consigo acreditar nele suportando tudo o que aconteceu de 2001 pra cá, em especial até 2010, quando tudo o que podia acontecer de ruim na minha vida nova aconteceu. Foi um momento de estabilizar a minha história e não foi nada fácil pra mim. Teria sido pior sem o Leo do meu lado o tempo todo (como já disse aqui, é ele quem me busca lá de longe e coloca meus pés firmes no chão, me fazendo olhar pro caminho certo).

Se fosse o inverso, talvez eu não tivesse suportado tudo o que ele aguentou comigo. Ele me ajuda a levar até hoje, ao me ajudar com vovó, Tia Ylza e Paulo, ao cuidar da Cuca com mais carinho do que eu consigo, a aturar minhas noites estudando, indo ao cinema comigo ver os filmes que eu amo e ele odeia, ao olhar com cumplicidade pra mim a cada vez que preciso estar com alguém que não suporto, a me escrever raros - mas lindos - emails de incentivo, a comemorar cada vitória dessa nova etapa das nossas vidas. Tento corresponder, mas nunca consigo estar à mesma altura. Nem acho que um dia vá conseguir. 

E como eu não sei falar bem o que eu sinto, vou mais uma vez roubar uma parte de uma música de Nando Reis, que ele canta no Luau MTV para o filho Ismael:

Desde que você chegou
o meu coração se abriu.
Hoje eu sinto mais calor
e não sinto nem mais frio.
E o que os olhos não vêem 
o coração pressente.
Mesmo na saudade 
você não está ausente...

Isso porque estranho seria se eu não me apaixonasse por você!