quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Filme: Amor

Amour - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert

Michael Haneke é conhecido por seus filmes densos, que sacodem o espectador. Alguns são bem conhecidos, como Violência gratuita, Caché e A fita branca. Em Amor ele não foge da polêmica e apresenta uma história comovente e forte. Quem consegue entrar na trama não sairá do cinema flutuando, mas terá muitas coisas a pensar.

Georges e Anne formam um casal fofinho. São bastante idosos e dividem uma vida bem tranquila num apartamento grande, indo a concertos e recebendo amigos em casa. Os dois têm uma relação intensa com a música, tendo sido professores há alguns anos. Os dois se amam, se compreendem, se completam. A vida era perfeita até Anne ter um problema de saúde que afeta o casal. Georges cuida da mulher com um carinho intenso. Respeita seus momentos de dor, de vergonha, de confusão. E ama, mais do que tudo. Além disso, o casal tem que lidar com Eva, a filha ausente que não compreende as transformações pelas quais o casal está passando. Não há muito mais a se falar do roteiro.

Haneke abusa da câmera fixa em um único ponto enquanto a ação se desenrola fora do campo de ação do espectador. Para acompanhar o dia a dia do casal, que não tem mais a vitalidade dos 20 anos, a trama é devagar. Os sons são apenas os do ambiente e a falta de trilha sonora chega a incomodar os ouvidos. O desenrolar da história é doloroso. É emocionante ver a degeneração de Anne (e a interpretação maravilhosa de Emmanuelle Riva, indicada ao Oscar de Melhor Atriz este ano. Acho que ela merecia ganhar, é incrível em cena), a dedicação de Georges, a preocupação dele com a dignidade da esposa frente aos amigos, à filha Eva, ao porteiro do prédio, até mesmo frente à pomba que teima em entrar pela janela aberta do hall do apartamento.

Sim, aqui o amor fala mais alto que tudo. Uma forma tão intensa de amar que leva a um desfecho completamente plausível e bem contextualizado. Que pode, sim, chocar, mas não deixa de ser sublime.

Amor foi o primeiro filme que durante o carnaval, acompanhada da turma com quem fiz o curso de cinema do Pablo Villaça. Foi uma maneira dura de começar a festa da carne, mas não menos especial. A turma é ótima e sempre rende grandes papos. Há os mais tocados pelo filme, há os menos (Leo é um dos menos, mas mesmo assim quis ter uma conversa comigo sobre a trama, que me deixou bem emocionada). Foi impossível ver Amor e não me recordar de cada momento de Adê em seu último ano de vida. Ela passou por quase todos os momentos que vemos com Anne. E doeu ver tudo aquilo de novo, mesmo na tela grande. Leo não gosta desse tipo de filme (já contei aqui), mas pra mim eles são como um combustível pra vida. Pra aprender a lidar com tantos momentos que não conseguimos elaborar sozinhos, que às vezes jogamos pra sombra; que passamos por cima, fingindo que não acontecem, que não vão acontecer. Amor é uma lição de vida.