sábado, 12 de janeiro de 2013

Livro: A garota com tatuagem de dragão e a filosofia - Tudo é fogo

Antes de falar do livro eu preciso confessar duas coisas. A primeira é que eu amei a Trilogia Millenium (falei dela aqui, aqui e aqui), vi os dois primeiros filmes suecos (aqui e aqui) e a releitura americana (e não comentei sobre ela aqui), e ainda vou ver o terceiro sueco.

A segunda é que minha nova diversão em livrarias é procurar livros de filosofia. Como eu estou iniciando no assunto, procuro sempre os comentadores e livros mais leves (não mais bobos, só mais simples para iniciar). Foi numa dessas garimpagens, em novembro/12, que achei esse A garota com tatuagem de dragão e a filosofia - Tudo é fogo. Comecei a ler antes do Natal e voltei a ele após o reveillon.

No fundo, achei que fosse ser daqueles livros bobos que eu não queria pra mim, mas acabei me surpreendendo. Claro, não é um tratado de qualidade, mas tem muita coisa interessante. O livro esmiúça alguns pontos da Trilogia Millenium, como a questão da personalidade de Lisbeth Salander, com relação à sua orientação sexual e a seu código próprio de ética (por exemplo, quando ela diz que pode expor a vida de alguém desde que o considere um babaca - em contraposição, Mikael Blomkvist diz que a vida privada das pessoas não deveria interferir, somente os atos ilícitos de interesse público).

Foi uma leitura bem interessante, especialmente no que toca a vida do autor da Millenium, Stieg Larsson. Ele trabalhava como observador de movimentos radicais, sejam de esquerda, direita ou qualquer outra denominação. Se fosse radical, o Larsson buscava informações. Em um dos artigos do livro, de um filósofo amigo de Larsson, é levantada a hipótese de que esse trabalho impediu ações de violência na Suécia. Outros capítulos também apresentam informações sobre a atividade jornalística de Larsson, com dados cedidos por sua companheira. Por exemplo, eles não eram formalmente casados e a caixa postal do casal tinha o sobrenome da mulher para evitar atentados - ele era constantemente ameaçado de morte.

O livro é montado com artigos de filósofos convidados e faz parte de uma coleção um tanto oportunista (no bom sentido), que tem livros como O Hobbit e a Filosofia, Batman e a Filosofia, Lost e a Filosofia e por aí vai. A Editora Madras classifica a coleção como Filosofia POP. E não deixa de ser. Senti que pode ser um bom começo para quem quer começar a ler sobre filosofia sem assustar com a densidade dos textos clássicos.