domingo, 30 de dezembro de 2012

Livro: O segredo do oratório

Nunca tinha ouvido falar desse livro até o Fórum das Letras, quando a autora, Luize Valente, participou de uma mesa e era bastante ativa também na plateia. A mesa dela foi junto com a Luiza Geisler, de Quiçá, sobre "Como publicar o primeiro livro". No intervalo, comprei os dois livros e li na sequência. Esqueci de postar, mais por conta da correria do fim de ano do que por qualquer outra coisa.

Ioná é uma médica que mora em Recife, com interesse em descobrir suas raízes familiares. Ela tem a sensação de que pode ser uma genuína judia - e os judeus mais radicais só consideram assim quem nasceu de mãe judia. Ela precisa dessa confirmação para resolver uma pendência pessoal. Ela entra em contato com a professora Ethel, especialista em judaísmo, e com Ana, jornalista e assistente da professora. Ana e Ioná partem em uma pesquisa para tentar descobrir se a família da médica faz parte dos chamados Cristão Novos, judeus forçosamente convertidos ao cristianismo, mas que guardaram as tradições religiosas em segredo. E há vários núcleos de cristãos novos no nordeste, em especial os judeus que vieram ao Brasil junto com os holandeses que se estabeleceram em Recife junto com Maurício de Nassau. Muitos ficaram no país como convertidos e alguns - a história diz que são 15 - foram para a América do Norte e fundaram a cidade de Nova York. O percurso de Ana e Ioná envolve pesquisa documental, conversas com familiares no sertão da Paraíba e os caminhos deixados por Tia Ioná, uma senhora que morre antes que a protagonista consiga chegar a ela e perguntar claramente por sua origem.

Há dois romances no fundo, e é curioso como eles, tão leves, mas tão lindos, conseguem ser bem mais intensos do que toda a trilogia 50 Tons. E bem mais críveis, pode ter certeza. Mesmo que um personagem desses romances pouco apareça na trama.

Luize Valente comentou, na mesa do Fórum das Letras, que escreveu um livro leve, com capítulos curtos, e que imaginava o leitor como um passageiro de aeroportos, alguém que lê mas precisa também estar atento a outras coisas, e não teria paciência para capítulos longos. De fato, é um livro fácil de ler, mas nem por isso é um livro bobo. A história é envolvente, eu terminava um capítulo querendo ler outro em seguida. E, assim, venci as 310 páginas bem rápido, até mesmo para quem não tinha tempo pra nada em dezembro.

Gostei muito. E parece que não só eu. Li que O segredo do oratório será traduzido para a Holanda. E olha que é super difícil que um livro brasileiro seja traduzido...