sábado, 1 de dezembro de 2012

Livro: O Grande Gatsby

Talvez eu esteja redondamente enganada. Pode ser um preconceito absurdo. O fato é que eu não sou muito da literatura americana. É provável que eu tenha lido os autores errados (e a culpa, nesse caso, é de um livro do Sidney Sheldon que li na adolescência, que me fez ter pavor de autores, em bloco, como se todos fossem o Sheldon). Sendo assim, demorei bastante a me permitir ler americanos. O retorno foi com Dan Brown e seu O Código Da Vinci, que gostei mais como entretenimento. Li, em seguida, Anjos e Demônios, mas foi com O Símbolo Perdido que desisti de novo de ler americanos.

Isso posto, resolvi enveredar pelos autores que são considerados pela crítica - o público não estava me ajudando. O primeiro que peguei foi O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald. Facilitou a escolha o fato de que o livro virará filme, exibido, provavelmente, em 2013. Comecei a ler com o pé atrás. O fato é que tropecei.

O livro é lindo! Tem um narrador, Nick Carraway, que parece meio apagadinho no começo, só contando a história do vizinho, Jay Gatsby, e suas festas maravilhosas. Mas Nick tem um jeito todo particular de se inserir na história principal, que acaba por revelar: o amor de Gatsby por Daisy, prima de o narrador. Ela, casada com Tom Buchanam, consegue movimentar a história sem ser uma das personagens que mais aparece na narrativa. É por ela que o movimento maior se dá.

O livro é de 1924 e relata um pouco daquele tempo meio maluco, em que o cinema e a Broadway já eram referências de entretenimento, e uma burguesia luxuosa enchia os olhos dos trabalhadores, que sofriam com um calor absurdo, chacoalhando em trens, entre as várias regiões de Nova York.

Separei três trechos que achei bastante poéticos e inspiradores:

"Havia um mistério na casa, uma insinuação de quartos no andar de cima mais bonitos e mais arejados do que outros quartos, de atividades alegres e radiantes acontecendo nos corredores e de romances que não eram mofados e guardados em baús com alfazema, mas frescos e emocionantes, com o cheiro dos reluzentes carros do ano e bailes cujas flores ainda não haviam fenecido. Excitava-o o fato de que tantos homens já haviam amado Daisy - isto a valorizava a seus olhos. Sentia a presença deles por toda a casa, impregnando o ar com sombras e ecos de emoções ainda vibrantes."

"Deve ter olhado para aquele céu pouco familiar através de folhas assustadoras e estremecido ao descobrir que coisa grotesca é uma rosa e como a luz do sol parecia rude sobre a grama nascida havia pouco. Um novo mundo, material sem ser real, onde pobres fantasmas, respirando sonhos como ar, pairavam fortuitamente... como aquela figura fantástica de cinzas deslizando na sua direção através das árvores amorfas.

"E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastando incessantemente para o passado."

É de uma leveza e, ao mesmo tempo, de uma profundidade brilhante.