sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Livros: Trilogia 50 Tons

Terminei de ler a trilogia dos 50 tons de cinza / 50 tons mais escuros / 50 tons de liberdade me perguntando por que raios eu não procurei coisa melhor pra ler. O fato é que eu precisava fugir um pouco da realidade atual (trabalho + filosofia + problemas sobre os quais eu falo depois) e pensei em ler uma coisa bem banal. Deveria ter relido qualquer Agatha Christie, enfim...

Os três livros são um horror de mal escritos. Bom, não fui muito feliz com a tradução também, pode ser isso. Todos estavam pessimamente traduzidos. Nesse ponto, em especial nos dois últimos, eu me diverti pensando que eu traduziria melhor (Pat Mapa pode ficar um pouquinho de orgulho dessa aluna relapsa...).

Mas o que mais me deixou de boca aberta com a trilogia não foi a tal pornografia tão alardeada. Achei leve demais, na verdade. Em literatura de verdade tem coisa mais forte, digamos, e com muito mais qualidade (um exemplo light é A Casa dos Budas Ditosos, do João Ubaldo Ribeiro). No meio do segundo livro eu já bocejava a cada "cena" nova de sexo. Deu uma preguiça enorme de todos os chavões, em especial de todos os orgasmos explosivos da personagem principal, Ana Steele, a imbecil que se anula completamente frente ao manipulador Christian Grey.

O que mais me incomodou foi a personalidade de Grey: agressiva, controladora, dominadora, invasiva. Ele teve seus momentos "ternurinha" ao longo de toda a história, mas nada que o livrasse dos itens mais assustadores que uma personalidade tem pra mim. Fiquei sinceramente admirada de ver que muitas resenhas foram escritas sobre os livros com garotas se dizendo apaixonadas pelo Sr. Grey. Gente, pelamor! O cara é tão estúpido, tão imbecil, tão egoísta! Como alguém pode achar legal ter um dominador o tempo todo reprimindo quem estiver à sua volta só porque ele é envolvente e bom de cama? Fico pensando que há um problema grave em que acha que "dois dedos" de carinho possam ser suficientes. A imbecil da Ana Steele se afasta de amigos, da família, troca de nome, entre outras coisas, e aceita um controle absurdo, só porque o Sr. Grey é "quente". Tô dizendo... Agatha Christie ia tirar as coisas pesadas da minha cabeça e não me faria ficar tão incomodada.

Nessas horas eu agradeço pelo Leo ser exatamente o que é: uma pessoa que me respeita, que respeita meus espaços, que não me sufoca. Já falei dele aqui assim, uma vez: "Somos, antes de tudo, companheiros. Não somos donos um do outro, estamos caminhando juntos, até quando for possível - e eu espero que seja possível por muito, muito, muito tempo.". Porque ele faz TUDO ser tão bom, sem precisar tocar na minha personalidade. 

Fico feliz por ter terminado os livros e caminho para enterrar de vez o Sr. Grey e a Srta. Steele no limbo.