domingo, 11 de novembro de 2012

Livro: Pós-escrito a O Nome da Rosa

Já falei aqui que tenho uma relação de amor e ódio com o Umberto Eco romancista. Isso porque ele, em geral, despeja tanta erudição em seus livros, que me deixa com raiva e com vontade de jogar o livro longe. Mas, ao final de cada livro dele, estou amando tudo, e ele passa a ser um dos meus escritores favoritos. Acho que só não tive essa reação de ódio inicial com O Nome da Rosa, que é um dos livros mais bacanas que já li.

Há muitos anos, tive conhecimento de que ele tinha escrito este Pós-escrito a O Nome da Rosa, explicando o processo criativo. Procurei na biblioteca da PUC, mas estava emprestado (lembro que havia poucos volumes, na época), e deixei de lado. Afinal, tinha muito mais coisas da própria faculdade para ler. Depois, consegui uma cópia em PDF e guardei. Fui ler só agora e foi perfeito. Casou com o momento atual de estudo de arte.

Aqui ele conta como trabalhou o cenário, os personagens, a época, as citações, a intriga policial. E fala sobre como a Idade Média é a infância do mundo atual. Sobre o que diferencia um romance qualquer de um romance marcante (e O Nome da Rosa, com certeza, é desses marcantes). Por exemplo, ele diz que "Mas quando o escritor planeja o novo, e projeta um leitor diferente, não quer ser um analista de mercado que faz a lista dos pedidos expressos, mas sim um filósofo que intui as intrigas do Zeitgeist. Quer relevar o leitor a si próprio". E isso é tão lindo... Para quem gosta de teoria literária (e eu não sabia que gostava), acredito que é leitura obrigatória.

Eco também aborda a literatura encomendada, as fórmulas que alguns escritores usam para fazer sucesso (e bastou ler para me lembrar de Dan Brown e seus livros, como O Código Da Vinci). Esses livros, em geral, morrem rápido, não são perenes, não se tornam clássicos e nem serão lidos por várias gerações.

Ele termina o texto assim: "Moral: existem ideias obsessivas, nunca pessoais, os livros se falam entre si, e uma verdadeira investigação policial deve provar que os culpados somos nós".

Lindo, não?