sábado, 24 de novembro de 2012

Filme: 007: Operação Skyfall

Skyfall - 2012 (mais informações aqui)
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade
Elenco: Daniel Craig, Javier Bardem, Naomie Harris, Judi Dench

Nunca fui fã de 007. Nem quando ele era o Sean Connery. Isso significa que nunca tive paciência de ver um filme inteiro do personagem. Até gosto bastante de filmes de espionagem e essas maluquices a la Agente 86. Mas 007 não desce. Mesmo assim, lá fui eu enfrentar o cinema do BH SHopping numa sexta à noite pós feriado e pós tromba d'água enlouquecedora na cidade, para ver o Daniel Craig pagar de gostosão.

Basicamente, o filme fala sobre o conflito entre a espionagem convencional - e antiga - e os avanços tecnológicos, que permitem, por exemplo, que uma arma só seja disparada por uma certa impressão digital. E foi um momento tão tenso o da explicação sobre a arma que imaginei que sua participação no longa seria maior do que uma mísera tentativa de tiro por um vilão chinês que, quase ao mesmo tempo, é comido por um "dragão de comodo assassino e carnívoro". É aquela história da "pista e recompensa", de que o Pablo Vilaça fala (não consegui encontrar o link com esse vídeo). Acho que não deu muito certo aqui.

Voltando ao tema: os métodos de M. começam a ser questionados. A grande pergunta é se ela não estaria velha demais para enfrentar um mundo tão cheio de tecnologia. Os computadores do MI6, o serviço secreto britânico, são invadidos e os responsáveis pela segurança do prédio não conseguem descobrir de onde vem o ataque. Q., responsável pela gestão de segurança de informação, está sempre um passo atrás do grande vilão da trama, um ex-agente do MI6 ressentido com M., disposto a tudo para matar a simpática e implacável personagem de Judi Dench. Aí entra Bond, James Bond, provando ser leal a M., mesmo quando parte dela a ordem de atirar em uma mistura de 007 e vilão, numa briga besta em cima de um trem em movimento. Claro, 007 é atingido e dado como morto. Mas o atentado à sede do MI6 faz com que o herói abandone sua aposentadoria para provar como, sozinho, consegue derrotar meio mundo.

Duas coisas chamam a atenção em Skyfall. A primeira delas é o design de produção (a antiga direção de arte). As cenas na China, com destaque para o interior o prédio com muito vidro e o reflexos das luzes, e as cenas do cassino em Macau (tirando, é claro, a participação fundamental do "dragão etc"). As texturas e cores do cassino da Macau são muito bonitas, bom trabalho de composição e iluminação.

A segunda é a participação de Javier Bardem como o vilão Silva. O ator tem muitos recursos e apresenta um vilão caricato, mas não ridículo - apesar do roteiro não contribuir muito com a caracterização e história pregressa do personagem. No final das contas, ele faz um personagem louco, como o Anton Chicurh de Onde os fracos não têm vez, mas completamente diferente. Talvez, a única coisas em comum, fora a loucura, seja o cabelo ridículo. Será que vai virar tradição o Bardem em papel de vilão com cabelo estranho?

As aberturas de 007, em geral, me desanimam. Com esta não foi diferente. É tão... brega! A música, cantada por Adele, até é interessante. Mas sei lá, não combina. Não posso deixar de mencionar que o roteiro usou de alguns recursos já bastante manjados no cinema, como o momento "Os Vingadores" de Silva e a produção de "Esqueceram de Mim", protagonizada por M. e 007. Deu vontade de rir nas duas situações.

Conclusão: primeiro e último filme do 007 que eu vejo.