quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A mulher do saco


A análise desta semana sofreu uma pequena alteração: foi terça-feira. Entre o medo quase irracional que estou sentindo de ter de interromper de novo (não quero falar sobre isso agora) e a alegria de ver que muita coisa tem melhorado (apesar de 2012 ser um dos piores anos da minha vida), saí de lá destruída. Desta vez, sem ter derramado uma lágrima. Mas era como se tivesse chorado por horas e horas e horas.

Os motivos que, em geral, me tiram do sério, ainda existem, mas me afetam menos. Isso, talvez, é a maior vitória que consegui nesses anos de análise. Por outro lado, sinto como se tudo que eu gostaria de esquecer jamais será esquecido. Como se eu fosse aquela mulher que chamávamos de Velha Rabugenta, uma senhora que mendigava aqui em Ouro Preto na época em que eu era criança. Ela andava por aí carregando um monte de sacos, que pareciam fazer parte do seu corpo, de sua roupa, de sua pele.

Aí, fiquei me imaginando como essa senhora. Uma pessoa que tem muitas coisas sendo levadas, grudadas, costuradas, coladas à pele. Que vai carregar um peso enorme por muito tempo. Que tenta deixar pelo caminho alguma parte desse peso, mas o que se deixa é poeira. Sem desmerecer os avanços, há momentos em que parece que eles foram tão pequenos, tão simples, tão leves; que o pesado ficou. E que eu não vou saber lidar com o hard dessa vida. 

Às vezes dói ter essa carga toda pra carregar.