quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A escada

Uma das coisas ruins que este ano me trouxe foi ter de me confrontar com o envelhecimento da Cuca. Porque é inegável e irrevogável que ela está bem velhinha. Já são 11 anos de vida - o veterinário já a chama de senior. E isso tem doído à beça.

Começou com o olho. Uma manchinha branca ali, bem no meio. Essa manchinha foi crescendo até virar uma nuvem de tamanho considerável. Hoje, parece que o tamanho estacionou, mas não resta dúvida: catarata, nos dois olhos. Depois, o faro. Se a gente joga o biscoito canino que ela come todo dia no chão, ela demora às vezes mais de dois minutos pra encontrá-lo. E o ouvido... ele continua afiado, mas ela já demora mais pra escutar a porta da rua batendo ou um chamado de um local mais distante.

No fim de setembro, ela ficou doente. Voltou do banho semanal amuada, quieta, com cara estranha, sem brincar, sem pular. Não conseguia subir na cama ou no sofá. Não queria comer o Biscrock. Nem na ração ela tocava. Foi uma correria pro veterinário olhar. Ela chegou a ficar internada na clínica por um dia, em observação, e voltou pra casa do mesmo jeito. O diagnóstico: problema na coluna.

Aí, voltamos àquela instituição chamada "casamento". Quando Leo e eu resolvemos nos casar, meu entusiasmo era zero. O dele, era muito alto. Então, ele resolveu praticamente tudo. Eu só cuidei de marcar a igreja e evitar que o resto do mundo soubesse (mas claro, sempre há alguns espíritos de porco por aí). Leo comprou a maior parte das coisas que precisavam ser compradas, entre elas, a nossa cama. Eu sempre sonhei com uma cama japonesa, bem baixinha. Ele trouxe pra casa uma cama enorme, muito alta. Alta pra mim, altíssima pra Cuca. E a cachorrinha dorme com a gente. Ela aprendeu a subir de descer dessa altura toda em cima de um travesseiro que ficava ali no chão para amortecer as quedas. Mas não adiantou. Ela - e a coluna dela - estavam sofrendo do mal da cama-que-não-é-japonesa.

Pra resolver o problema Cuca versus cama, compramos uma escada para cães na Petescadas. No começo, a Cuca ficou bem receosa, mal chegava perto da escada, como se estivesse com bastante medo. Aos poucos, ela começou a entender a dinâmica da coisa e, hoje, só sobe e desce pela escadinha. Facilitou a vida dela, as dores de coluna diminuíram e ela pode ficar mais tranquila, mais à vontade, sem sofrer tanto.


Esse tapete horroroso aí foi o que achamos, na pressa, com antiderrapante. Facilita a subida e a descida.


Quatro degraus e pronto, ela está segura e sem dores.