quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Paulo

Outro dia comentei (aqui) que não falo muito do Paulo. Talvez a hora tenha chegado.

Paulo é o meu único tio materno. Mais do que isso: ele é a única pessoa viva por quem eu sinto amor "paterno". Isso porque tenho três pais. Meu avô e meu padrinho, que já faleceram, e o Paulo. Ao contrário do vovô e do Padrinho, não temos um relacionamento muito "afetivo", no sentido do toque. Abraços e beijos faziam parte do contato com os dois que já se foram, não com o Paulo. Talvez uma explicação seja o fato de não o chamarmos de "tio". Desde sempre ele é o Paulo, e pronto. Outra causa é ele ser filho da vovó. Ela não é carinhosa, e acho que ensinou isso pros dois filhos. Mas não importa. Não precisa de mais.

Pois bem. Neste fim de semana, houve um acidente com o Paulo. Não quero (e não vou) falar o que aconteceu. O que importa é que está tudo bem com ele. Tudo mesmo. Mas, pela primeira vez na vida, vislumbrei a possibilidade de perdê-lo. Sei lá, eu estou relativamente preparada para a morte da vovó e da Tia Ylza (porque, vamos combinar, as duas estão ótimas, mas têm pouco tempo de vida). Paulo não. Como se ele fosse imortal. Como, talvez, a gente pensa que o pai da gente é.

Paulo é, definitivamente, a representação ideal de pai para mim. Pena que ele não tem filhos. Talvez seja por isso que ele é um tio fantástico.