terça-feira, 23 de outubro de 2012

Livro: Antígona

Já comecei falando do livro aqui. Amei!

Antígona é filha de Édipo, rei de Tebas. Aquele mesmo, que se casou com a própria mãe e, ao saber da verdade, furou os olhos. Édipo e Jocasta tiveram quatro filhos: Antígona, Ismênia, Polinice e Etéocles. Antígona e Ismênia seguiram o pai, cego, para o exílio em Colona e, após a morte de Édipo, voltaram para Tebas, para viver com o tio, Creonte, novo governante do lugar. Etéocles e Polinice ficaram em Tebas, mas acabaram se envolvendo em guerras e ficaram de lados opostos: Etéocles defendia Tebas; Polinice defendia Argos. E, na guerra, os dois morreram no mesmo dia. Creonte, o rei, decreta que só Etéocles será enterrado; o corpo de Polinice ficará jogado do chão, para que aves e cães se saciem.

Antígona, revoltada com o decreto de Creonte, que é um ataque às tradições, resolve enterrar Polinice por conta própria. Ela está seguindo a tradição que diz que um corpo não enterrado, sem as honras devidas, terá a alma vagando pelo mundo, sem ter lugar certo.

O texto reflete bem essa questão: as lei dos deuses e as leis dos homens; a tirania; a tragédia continuada. Como filha de Édipo e Jocasta, Antígona não teria uma vida fácil. Tomando essa atitude de enterrar o irmão, não restam mais esperanças de que haja felicidade.

No post em que falei do livro (este aqui), postei duas frases que tirei do livro. Abaixo, vão mais algumas:

Contudo, um dos privilégios da tirania é justamente dizer e fazer o que quiser.
Antígona, falando a Creonte

O povo fala. Por mais que os tiranos sejam afeitos a um povo mudo, o povo sempre fala. Fala sussurrando, amedrontado, à meia luz, mas fala.
Antígona, também a Creonte

Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor.
Antígona a Creonte, de novo

... o amor que só tem palavras não pode ser de uma verdadeira amiga.
Antígona, falando a sua irmã Ismênia

Errar é uma coisa comum entre os humanos, mas se o homem sensato comente uma falta, é feliz quando pode reparar o mal feito sem enrijecer em sua teimosia, pois esta gera imprudência
Do cego Tirésias a Creonte

A parte em que Hêmon, filho de Creonte e noivo de Antígona, debate com o pai sobre os poderes de um governante, é perfeita.

É uma peça curtinha (no meu livro, só 38 páginas), que se lê de uma vez só. E vale muito! Estou até agora me perguntando como não li esse livro antes...