sábado, 20 de outubro de 2012

De como os gregos já sabiam de tudo

Quem costumava dizer isso aí, que os gregos já sabiam de tudo, era o meu professor de Teatro na faculdade. Era uma aula curiosa. Na primeira, ele apresentou autores de vários períodos e sorteou-os entre os alunos. Se estou bem lembrada (isso foi em 1997!!!), a apenas dois autores foram permitidos quatro sorteios: Shakespeare e Nelson Rodrigues. A dinâmica da aula era a seguinte: cada aluno leria uma peça do autor sorteado e apresentaria um fichamento em sala de aula, distribuindo as fichas para os colegas. Ao final do curso, teríamos uma espécie de caderno com resumos e pontos principais de cada autor. Shakespeare e Nelson Rodrigues teriam quatro peças. E três alunos apresentariam, cada um deles, um teórico do teatro: Stanislavski (o que eu mais gostei), Artaud e Bretch. A cada aula, a gente conhecia um pouco do universo do Teatro. Era interessante e possibilitou que eu lesse bastante coisa boa.

Entretanto, a cada aula, praticamente, o professor reforçava: os gregos já sabiam de tudo. E eu ria. Achava mesmo graça daquilo e pensava que ele estava errado, de alguma forma.

Mas aí vieram essas aulas que estou fazendo no Mestrado em Estética e Filosofia da Arte. Elas me possibilitaram um pouco mais de aprofundamento. A cada aula do primeiro semestre (Teoria Estética), eu anotava numa folha à parte os livros citados pelo professor. Faço isso ainda, nas duas aulas que estou fazendo agora. A lista só cresce. Por outro lado, há alguns X marcados em frente aos poucos livros lidos.

Foi com a Poética, de Aristóteles, que veio o primeiro baque. Putz, o cara falou tudo! Tudo o que repetimos hoje, seja na literatura, no cinema, no teatro, em qualquer arte narrativa. Fiquei em êxtase com a Poética.

Agora, fui ler Antígona. Já tinha lido, do Sófocles, Édipo Rei, que acho muito legal. Não me lembro se Antígona estava na lista das peças da aula de Teatro, acho que não. Pelo que me lembro, do Sófocles foi Édipo Rei mesmo. E, nas primeiras páginas, já tem duas coisas muito redondinhas, perfeitas, eu diria. Para hoje e para sempre, acredito. São elas:

O exercício do poder põe um homem à prova
A frase é atribuída a Bias e, em Antígona, está na boca de Creonte. 

É curioso como alguém que presume tudo saber descobre coisas que não existem
Fala do Guarda a Creonte.

Resumindo: meu professor estava certo: os gregos já sabiam de tudo!

P.S.: Da lista de livros a ler, já foram lidos:
- O Banquete
- Poética
- Arte e beleza na estética medieval
- Tristão e Isolda
É pouco, mas já é alguma coisa.