terça-feira, 2 de outubro de 2012

Conto: Perfume

Fazia uns dias que tudo tinha se acabado. Ela se foi. Me deixou com o coração partido e com a marca de sapato de salto finíssimo na bunda. É preciso reconhecer: ela tinha estilo até para terminar um relacionamento.

Os amigos tentavam me dar moral, me chamando para baladas, para churrascos, para encontros casuais na praça central. Foi assim que aconteceu. O Ric disse que ia levar uma amiga. Ela é feinha, mas gente boa, ele disse. Não gerei expectativas. E, quando ela apareceu, concluí que meu amigo tinha sido cruel. Não era bonita, tampouco era feia. Bem vestida e sorridente. Prazer, Tatiana, ela disse, com um sorriso lindo, um abraço e um beijo na bochecha.

Naquele momento, com ela em meus braços, senti o melhor perfume do mundo. Não sei se era em seu pescoço, em seu cabelo, em suas mãos.

Só sei que foi desse perfume que me lembrei avidamente durante os dias seguintes, enquanto pensava em rever Tatiana, deixando para trás a tristeza dos dias anteriores, esquecendo a marca de salto fino que a outra deixou na minha vida.