terça-feira, 11 de setembro de 2012

Para todos os lados

A Flávia, minha analista, voltou a atender, depois de sete meses de molho, após uma queda grave. Finalmente! Senti uma falta enorme e absurda da análise (mesmo mantendo longas conversas imaginárias com ela durante meus banhos), como nunca achei que sentiria. Ela está de volta e eu às voltas com uma coisa estranha que eu acho que é um pouquinho de depressão.

Tudo começou no Natal do ano passado (falei um pouco sobre isso aqui), que foi absurdamente triste. Ainda não me recuperei dele (fico nervosa só de lembrar) e acho difícil explicar que nada errado aconteceu. Ninguém morreu, nada foi perdido, nada saiu do que estava programado. Mas rolou uma tensão absurda em mim mesma e eu só fazia chorar. Longe da vovó, claro. Não queria que ela visse nada.

Aí veio a notícia do acidente da Flávia e eu fiquei desesperada. Cheguei a perguntar para um amigo psicólogo se eu poderia ou deveria procurar um psiquiatra ou buscar outro tipo de atendimento. Acabei optando por esperar e, para não cair na tristeza, resolvi encher a minha vida de coisas, para evitar ao máximo ter tempo pra me entristecer. Veio daí a disciplina isolada no mestrado no primeiro semestre, o curso de introdução à psicanálise e o inglês (contei um pouco sobre isso aqui). Gostei tanto de tudo que continuo no inglês e me inscrevi em mais duas isoladas do mestrado em Estética e Filosofia da Arte.

Ao mesmo tempo, tenho trabalhado com coisas muito diferentes, que precisam de um certo preparo, uma espécie de mergulho raso, aquele que possibilita a gente entender minimamente do que estamos falando. Os temas mais recorrentes são: engenharia metalúrgica (eu super curto, acho que gostaria de estudar de verdade), geração de energia, órgãos históricos, museus, editoração. E tem o interesse de sempre por cinema e literatura. Ou seja: ando atirando para todos os lados.

Essa falta de um foco foi tema das minhas últimas conversas com a Flávia. Ser curiosa leva a isso: o leque de interesses se abre demais. Dizem que é mal de jornalista, que o ideal para a minha profissão é isso mesmo: conhecer o suficiente de cada coisa, para poder conversar sobre tudo, sem ter a profundidade de um especialista ou a ignorância (do verbo ignorar, por favor) geral. Assim, em teoria, posso conversar sobre qualquer assunto com qualquer pessoa e sempre aprender mais, o que pra mim, é sempre lucro.

O lado ruim é não ser especialista em nada. É não ser daquelas pessoas que estuda, por exemplo, a obra de Fernando Pessoa desde os 13 anos e sabe tudo sobre o poeta, sua vida, sua obra, seus heteronômios. Lembro que, quando entrei pra faculdade, queria fazer isso com Fernando Sabino. Foi meu primeiro grande trabalho da época e a proposta era justamente me aprofundar. Mas aí vieram milhares de interesses e pronto: mudança de planos. E aí fui trabalhar com TV, com cinema, com assessoria, com sociologia e com tantas coisas legais...

Hoje, eu queria muito ter um foco. Há mais tempo, achava super legal ser plural. Será que é fase e vai passar? Será que é só um momento em que estou triste demais e achando tudo que eu faço assim, bastante ruim? Alguém aí já passou por isso?