terça-feira, 7 de agosto de 2012

Para-raio

A cada dia que passa, tenho mais certeza de que sou para-raio de doido. Vejamos:

Sexta passada fui pra BH repetir um exame médico. Fui de ônibus, com o Leo, levando o livro O Hobbit, que estou lendo.

Fato #1 - Nas poltronas do lado sentam-se duas pessoas que eu conheço de vista. Mãe e filha. A mãe mais perto de mim. Quando já estávamos em BH, fechei o livro e escuto a senhora comentando com a filha: "Que nome estranho de livro!". A filha explica que é a prévia do Senhor dos Anéis, que é um conto e tal. Depois, fiquei pensando: tem um dragão na capa do livro. Vai que a senhora pensou que era alguma coisa de satanismo...

Fato #2 - Depois do exame, entrei em uma loja para comprar uma calça. Na fila de pagamento (que estava enooooorme!), uma moça veio me perguntar se eu ia pagar com cartão. A imbecil aqui disse que não, que ia ser em dinheiro. E não seria em dinheiro, seria no cartão mesmo. Daí a moça me perguntou se eu não topava trocar um vale com ela: a gente passaria as compras juntas, eu pagava a parte dela e ela me daria esse tal vale. Respondi "não, obrigada" umas 150 vezes. Não satisfeita, ela pergunta de que eu tinha medo, que era tudo seguro e tal. E eu pensado por que, afinal de contas, eu tinha respondido a primeira pergunta dela assim, de pronto, sem nem pensar, e ainda dado informações sobre o que eu ia fazer. Burra, burra, burra. Quando estava quase na minha vez de ir ao caixa, a mulher recomeça a lenga-lenga. Eu disse que não faria isso nem se fosse pra minha mãe e ela insistindo. Pelamordedeus, pelos meus filhos, pelas contas que eu não posso pagar. E eu tentando fazer cara de paisagem. Felizmente, me chamaram e ela ficou na fila, tentando encontrar uma pessoa de alma mais solidária e menos medrosa.

Fato #3 - Na volta, entrei novamente no ônibus e decidi não voltar a ler o livro. Estava estressada com o caso da moça da fila. Peguei o Ipod, coloquei os fones e fui ser feliz. Daí, vem um sujeito e pergunta se pode sentar do meu lado. Minha vontade era dizer não, mas fui educadinha. Afinal, a passagem do lado era dele mesmo. Ele veio me perguntar se era mesmo pra usar o sinto de segurança. Eu disse: "É obrigatório". Ele insistiu que não sabia se era bom, mas já tinha ouvido falar que era melhor usar, até mesmo no ônibus. "É obrigatório", repeti. Ele pôs o cinto e eu me virei pra janela, pra apreciar a bela paisagem da rodoviária de Belo Horizonte #not. E o sujeito me chama de novo. "Você sabe mexer nesse celular aqui?". Não, eu disse (e era verdade, eu não sabia mesmo. Mal sei mexer no meu...). "É que eu acabei de comprar e não sei mexer". "Eu também não", e virei de novo pro lado. Pensando por que, afinal de contas, as pessoas puxam papo com alguém que está de fones de ouvido. Não quero conversar, moço.

Três casos estranhos num mesmo dia.

Isso porque eu não conto os outros... como o dia em que um cara, na sala de espera de um endocrinologista, veio me falar que não queria tomar remédio para hipotireoidismo porque deixava impotente. E eu com isso, moço???

Daria um livro. Ou uma tag nova aqui.