quinta-feira, 12 de julho de 2012

Livro: Tristão e Isolda

Dizem que Tristão e Isolda é o conto fundador das histórias de amor romântico. A história não tem autor certo nem data. Só se sabe que é uma lenda medieval que foi contada, recontada, escrita, reescrita e apropriada até mesmo pela lenda do Rei Artur - em alguns relatos, Tristão é cavaleiro da Távola Redonda.

Li a versão de bolso da Martim Claret, em que o próprio texto fala que existem vários relatos. Esta é: "baseada nos fragmentos de Béroul, Thomas (troveiro anglo-normando do século XII), Gottfried von Strassburg e nos trabalhos do francês J. Bédier, um dos mais importantes pesquisadores modernos da lenda de Tristão e Isolda".

Tristão é filho de um amor triste - perdeu pai e mãe e foi criado por um criado. Quando jovem, chegou ao reino de Marcos, que é seu tio, e passa a ser o preferido da corte. É guerreiro, batalha, mata dragões e ganha a mão da loura Isolda para o tio. A mãe de Isolda, querendo que a filha seja feliz no casamento com o Rei Marcos, entrega à criada da filha uma bebida mágica, para que os dois tomem logo após o casamento e se apaixonem um pelo outro. Mas por um descuido de Brangien, a criada, quem bebe o preparado junto com Isolda é Tristão. Pronto, está criado o drama. Os dois não podem ficar juntos, mas o amor fala mais alto.

Como tudo que é medieval, o texto é cheio de símbolos. Como a cena em que Isolda e Tristão dormem na floresta e, no meio deles, está a espada de Tristão. O Rei Marcos, marido de Isolda e tio de Tristão, encontra os dois e, ao ver a espada entre eles, conclui que os dois não seriam amantes. Ele, então, sem acordar os dois, troca a espada de Tristão pela sua própria. Ou seja: ele ainda mandava no pedaço.

É um livro bem bacana mas, como é uma compilação, traz uma série de contradições. Não prejudica a história, se o leitor consegue entender essa questão da autoria múltipla.