sábado, 21 de julho de 2012

Filme: Toda forma de amor

Beginners - 2010 (mais informações aqui)
Direção: Mike Mills
Roteiro: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent

Antes de falar do filme, vamos falar da minha vida atribulada no primeiro semestre deste ano. Vi o filme no dia 5 de março e só consegui escrever sobre ele agora. É um filme que me impactou, mas não foi por isso. Foi porque logo depois começaram as aulas da disciplina do mestrado e eu parei de escrever como gosto de fazer. Mea culpa.

O título do filme não é bem apropriado, eu acho. Pelo menos, me passa a impressão de ser um romance água com açúcar bem bobinho, e o filme não tem nada disso. Ele fala, sim, de formas de amar, mas passa longe de ser bobo e romantiquinho. Ewan McGregor é Oliver Fields e está às voltas com a morte do pai. Não uma morte qualquer. Seu pai era paciente de câncer e teve um fim de vida um tanto sofrido. O pai é Hal Fields, interpretado por Christopher Plummer, que recebeu o Oscar de ator coadjuvante por este personagem. Eu adoro o Plummer, desde que vi A Noviça Rebelde (não joguem pedras, please), quando ele foi o Capitão Von Trapp. Ele é um ótimo ator e mereceu esse prêmio, está apaixonante no filme.

Hal, aos 79 anos, diz ao filho Oliver que é gay. Que, durante toda a sua vida, escondeu sua orientação sexual em nome de todas as convenções sociais da época de sua juventude - ser gay era considerado uma doença. Ele se casou (a mulher sabia que ele era gay e disse "vou consertar isso"), teve um filho e viveu uma vida de aparências com a esposa. Após a morte dela, ele se sente livre para viver como deve ser. "Não quero só ser gay na teoria, quero fazer algo", diz ele. E faz da sua vida realmente um renascimento: um namorado (Andy), um cachorro (Arthur), aulas de dança, festas e tudo o mais que pode fazê-lo se sentir feliz.

Oliver, por mais que estranhe a revelação do pai, acolhe a novidade. Porém, Oliver tem um jeito bem fechado, tímido, quase como se fosse triste. Em uma festa a fantasia, em que ele vai vestido de Freud, conhece Anna, uma francesa (Mélanie Laurent, de Bastardos Inglórios), que vai apresentar a ele uma nova forma de amar, mais livre, sem o peso do relacionamento truncado que ele via nos pais.

É um filme lindo em que o pai, Hal, só nasce para Oliver após a morte da esposa, após ele afirmar para o filho como homossexual. E Oliver só consegue se expressar melhor ao ver o pai, ao lembrar dele sendo realmente feliz quando assumiu quem é de verdade. É uma lição pra tanta gente por aí que ainda acha que homossexualismo (e outras formas de amor) são doenças ou aberrações e merecem ser curadas ou consertadas. Amar só faz bem, não importa a forma. E se há amor, não precisa haver convenções. Aliás, quem é que tem autoridade pra impor regras a respeito do que é bom pra cada um?

Toda forma de amor merece ser visto, revisto, comentado, apreciado, chorado (sim, é bem triste). Um dos mais lindos que vi este ano.