terça-feira, 19 de junho de 2012

Silêncio e solidão

Quando adolescente, eu buscava, de todas as formas, ficar sozinha. Morava em um apartamento com mais cinco pessoas. Todos falavam ao mesmo tempo, sempre tinha TV ligada, rádio, CD, videogame e muita gente falando, sempre. Eu queria uma porta mágica no meu quarto que me levasse para um lugar vazio, onde eu pudesse curtir a solidão. Nem precisava ser uma porta grande, podia ser uma igual àquela do filme Quero ser John Malkovich, mas que não me levasse pra cabeça do ator. Só um espaço de paz, silêncio e solidão.

Essa vontade durou até quando fui morar sozinha. Foi nesse período que percebi que o que eu queria muito não era a solidão, não era estar só. Era só eu chegar em casa, do trabalho, que sentia ausência de gente. E ligava o rádio-relógio no canal da CBN, só para escutar voz de gente. Achei que estava enganada, que queria alguma coisa diferente da solidão.

Só me toquei anos depois. Não, não era ficar sozinha que eu queria. Era o silêncio. Ainda adoro ficar sozinha, tem momentos que a solidão é o que há de melhor. Mas não o tempo todo. O tempo todo eu gosto é de silêncio, ou de conversa baixa, ou de ausência de gritos. A solidão me deixou nervosa, e por isso recorri às vozes do rádio. E, ao mesmo tempo, queria o silêncio.

Quando meu avô morreu, foi um baque tremendo. E o apoio que mais gostei de receber veio de um colega de escola que, todo dia, sentava-se ao meu lado e ficava ali, no silêncio mais solidário que já senti até hoje. Criamos um laço ali. Hoje, não temos mais contato, mas é dele que eu me lembro quando penso no silêncio.