terça-feira, 29 de maio de 2012

Livro: Apologia de Sócrates e Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates

São dois livros, mas é impossível falar de um sem citar o outro. Os dois foram escritos por Xenofonte, discípulo de Sócrates e pessoa indignada com a condenação do mestre.

No primeiro, Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, Xenofante lamenta pela morte de Sócrates e refuta suas acusações apresentadas. Para isso, ele conta como Sócrates usava seu método de fazer muitas perguntas ao interlocutor, até que aparecesse uma contradição. Assim, ele ensinava virtudes como a temperança, a prudência e a justiça aos seus discípulos e a quem mais quisesse aprender. Sócrates não cobrava por seus ensinamentos, como acontecia com os sofistas, que ensinavam a arte da retórica. Mas, justamente por levantar as contradições da sociedade, acabou atraindo a ira de muitos.

O livro começa com o lamento pela sentença de morte dada a Sócrates e tem seu corpo nas histórias do filósofo ateniense. O último capítulo é sobre a defesa que o mestre proferiu no julgamento, e sobre como ele poderia ter pedido clemência, pago uma multa ou ser expulso da cidade, mas decidiu morrer pela cicuta. Após a leitura da sentença, Sócrates ainda viveu por um mês, o tempo de um certo festival grego em que não eram permitidas as execuções.

O segundo livro, Apologia de Sócrates, é bem curtinho e começa repetindo a última parte de Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates. Dá mais detalhes sobre como o filósofo aceitou sua sentença e como dizia que era a hora certa de morrer, já que deixou seus ensinamentos a quem era de direito.

Ao ler os dois livros, é inevitável pensar que Sócrates, que não deixou nenhum escrito filosófico, seja quase como o Jesus da filosofia. Sabemos que ele existiu porque há escritos sobre ele, a maioria falando como ele era uma pessoa de bem, desinteressada, que apontava o caminho da temperança e amealhava seguidores fiéis. O fato é que seus ensinamentos são realmente muito legais. Vale muito ler e buscar o caminho do bem.

Platão, o discípulo mais famoso, também escreveu sobre o julgamento de Sócrates, no livro Defesa de Sócrates.