sábado, 12 de maio de 2012

Filme: O Artista

The Artist - 2011 (mais informações aqui)
Direção: Michel Hazanavicius
Roteiro: Michel Hazanavicius
Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bojo, John Goodman

Vi O Artista antes do resultado do Oscar deste ano (e não vi o filme que concorria diretamente com ele, Hugo). Saí do cinema em êxtase com a beleza da produção, que achei impecável. Estava com um pouco de receio de ver um filme mudo, e tive um pouco de aflição no início, sem som. Mas depois que entra a orquestração, com os créditos à moda antiga, me vi envolvida na história e não senti a menor falta de diálogos e sons ambientes.

George Valentim (Dujardin) é um astro do cinema mudo, famoso e cheio de fans. Peppy Miller (Bejo) é uma das fans, uma moça apaixonada pelo ídolo e doida para entrar no mundo do cinema. O primeiro contato entre os dois é uma graça, ele bem humorado, ela atrapalhada. Em seguida, os dois se encontram num set de filmagens - ela foi selecionada como figurante em uma cena. A partir daí, a relação dos dois, durante os anos seguintes, vai ser palco de grandes emoções. O contexto é a passagem do cinema mudo para o cinema falado, no fim dos anos 1920. Valentim faz parte de uma época que está se despedindo, enquanto Peppy floresce com o cinema falado. Impossível não lembrar aquela música que diz que "o cinema falado é o grande culpado pela transformação...".

É linda, por exemplo, a cena em que Peppy invade o camarim de Valentim e interage com o paletó do ator. Bérénice Bejo tem uma intensidade em cena que é fantástica. Até mesmo Dujardin, que interpreta uma espécie de "canastrão" a la Rodolfo Valentino, tanto na época áurea quanto no período de vacas magras dá show. E o cachorrinho? Gente, que delicia é ver ele em sintonia com Dujardin em todas as cenas.

Os figurinos são de babar. Os vestidos e chapéus de Peppy são tão fofos! O cinema que aparece no início do filme também é lindo. Dá vontade de, como acontece em algumas produções, sair da poltrona e entrar naquele mundo, tão cheio de glamour.

A produção é uma grande homenagem ao cinema. Desde o formato da tela, o clássico 4:3, passando pela figura do magnata da indústria (John Goodman) até o conselho que Valentim dá a Peppy ("tenha algo que as outras não têm", enquanto desenha uma pinta no rosto da atriz), passando pelas cenas de café da manhã entre Valentim e sua esposa, tal qual em Cidadão Kane. O sonhos de Valentim, com o som, é emblemático para dizer como seria a adaptação à novidade do cinema falado. O amor de George Valentim ao cinema é tão grande que, no ponto alto do terceiro ato, ele até arrisca a vida pela lata do primeiro filme que fez com Peppy (lembrando que o nitrato de prata, que fazia parte da composição da película na época, ocasionou uma série de sinistros por aí, como já vimos em Cinema Paradiso e Bastardos Inglórios).

Infelizmente, acho que é um filme só para cinemas. É preciso silêncio e concentração para sorver tudo da obra, e em casa é mais difícil de se conseguir isso. A sessão que fui tinha umas dez pessoas e, todas, num silêncio absoluto, perfeito. Há anos, prefiro ir ao cinema nas primeiras sessões, que sempre são mais vazias.