domingo, 29 de abril de 2012

Mônica em cartas #8

D. Lina,

são três horas e pouco da manhã e estou acordada, rolando de um lado para o outro, nessa cama que dizem ser minha. O sono não vem. O sonho, então... Tenho espaço - e tempo - de sobra para sonhar acordada, mas não gosto do que penso. Por isso decidi escrever.

A senhora sempre me lembra que tem hora para tudo, e me agarro a isso a cada momento. Tenho pensado em muitas coisas ruins ultimamente. Tenho pensado em fugir. Sair pela porta e nunca mais voltar. Sem levar nada, nem a minha carteira de identidade. Para, simplesmente, deixar de ser. Porque é isso que eu quero agora.

Não tenho mais paciência com a vida, com a escola, com o pessoal do prédio e com aquelas pessoas que os mandamentos me obrigam a amar. Quero gritar, D. Lina, quero romper.

E sei que, por agora, não dá.

Com insônia,
Mônica.