quarta-feira, 11 de abril de 2012

Livro: Arte e beleza na estética medieval

Se tem um período histórico que eu adoro é a Idade Média. Tudo bem que são quase mil e quinhentos anos e muita pluralidade, mas é um período que me encanta, pelo estilo de vida, pela arquitetura, pela arte. E um dos melhores momentos da aula de Teoria Estética do mestrado foi a Estética Medieval. Pena que o professor ficou só duas horas/aula nesse assunto, que me fascina. Ele indicou, para quem quisesse entender mais sobre o tema, o livro Arte e beleza na estética medieval, de Umberto Eco.

O livro é mais focado na teoria da arte do período, com destaque para a Escolástica, as alegorias e os textos de São Tomás de Aquino. A arte medieval é totalmente voltada para o divino, e uma das discussões que tomou a Idade Média é se as igrejas deveriam ser ornadas ou não. Havia quem dissesse que, ao ter adornos, as igrejas perderiam sua função, já que os fiéis ficariam enebriados com a beleza e não estariam focados na adoração a Deus. A outra corrente já dizia que as igrejas deveriam ser muito bem adornadas para a glória de Deus.

A chamada Idade das Trevas também tinha uma particularidade: a procura pela luz, na arte. A claritas era indispensável para a arte, assim como a noção de proportio (que também era considerada divina) e a integritas. Por conta dessa necessidade da luz é que surgiram os vitrais nas igrejas medievais: o sol inunda de luz o interior das construções.

Outro ponto importante na arte medieval é a alegoria. Para o homem medieval, tudo é figurativo. Assim, surgiu a noção de que um pelicano sempre presenta Jesus, já que a noção popular diz que esse pássaro arranca carne de seu próprio peito para dar aos filhotes. E, seguindo essa linha, tudo virava uma alegoria, um sinal divino na vida dos homens.

O livro é uma delícia de ler. Como acontece com alguns livros do Umberto Eco, há citações em latim que não são traduzidas, mas são as mais simples, dá pra ler numa boa, juro. Os excertos maiores em latim são devidamente traduzidos. Eco é um daqueles eruditos que dão até raiva na gente, porque acumulam um saber absurdo. Ele deve saber de tudo do mundo, porque é impressionante a sua obra, tanto em romances como em ensaios técnicos. Só a bibliografia do livro dá uma mostra do conhecimento do Umberto Eco e mostra que - putz - tenho muito a aprender. Mas muito, muito mesmo.

Infelizmente, a arte medieval não é o foco da minha disciplina isolada e nem do meu projeto de mestrado. Mas um dia volto ao tema.