terça-feira, 6 de março de 2012

Só sei que foi assim

O avô do meu avô, Francisco Monteiro, conhecido como Chico Funcho, era um cara divertido. Ele tocava violino em uma banda (não descobri ainda em qual) e era muito alegre. Gostava de fazer brincadeiras e falava muitas bobagens, digamos, escatológicas. É, meus amigos, ele gostava de falar sobre o número 2 e suas manifestações mais gasosas. O fato é que toda a família herdou isso, de certa forma. Uns mais, outros menos. Meu avô, por exemplo, era entusiasta das bobagens do avô dele e também curtia fazer essas gracinhas pra todo mundo. Tia Ylza já era mais reservada. E o vovô acabou me levando para esse lado também. Em homenagem ao avô dele, vovô Ney só me chamava de Funchinha. Mas, alerta necessário, só ele pode me chamar assim. Só ele e ponto final.

Mas foi por Tia Ylza, sempre recatada, que eu tomei conhecimento de uma poesia interessante de Brito Machado, um poeta ouro-pretano que eu conhecia por ter sido amigo da família e por ter lido um livro dele muito lindo sobre os sinos de Ouro Preto.Ele também foi professor do meu tio Yvan, irmão do vovô e da Tia Ylza. E foi o Tio Yvan quem escutou e contou pros irmãos o que eu reproduzo a seguir.

Diz a família que Brito Machado era muito feio. Tinha a testa larga e bem grande, bem alta. Mesmo assim, era uma pessoa bastante carismática, adorado pelos alunos. Certo dia, estava ele com um grupo de estudantes, dentre eles Tio Yvan, quando uma mocinha começou a rir dele, por causa da testa grande e da feiúra. Ele, poeta experiente, não deixou por menos e fez logo um versinho pra tal moça. Vou contar exatamente como Tia Ylza contou:

"Deixe de ser vaidosa
Ser metida como tu
A moça, por mais formosa, 
Não deixa de ter um..."

Pausa dramática para a Tia Ylza não pronunciar aquela palavra que ela, toda, pudica, não consegue.