domingo, 11 de março de 2012

Mônica em cartas #3

Dona Lina,

não fui eu. Juro por Deus, mesmo sabendo que a Madre Carmela fica furiosa quando juramos por Deus e nos manda fazer penitência. Juro, assim mesmo, que não fui eu. Prefiro rezar ajoelhada no milho, com Madre Carmela ao lado, a me exigir um olhar penitente. Não fui eu.

Se a senhora soubesse, Dona Lina, o que os meninos da classe fazem comigo, jamais acreditaria neles. Não teria me olhado com tanta raiva enquanto a classe inteira ria. Eu sempre levo a culpa por tudo o que acontece. Já me acostumei com isso, mas não consigo evitar me sentir infeliz. Eu sofro, Dona Lina, com o jeito como as coisas acontecem. É horrível receber tantos olhares de deboche, ouvir cochichos e risinhos quando eu passo. E agora, isso! Ser acusada de ter jogado a bomba no banheiro feminino.

Não fui eu, Dona Lina, não fui eu.

Sim, eu estava lá. A aula de educação física tinha acabado e eu fui trocar de roupa. Escutei alguém falando algo sobre riscar o fósforo. E logo saí da cabine. Vi a bomba ali, no chão. Fugi, Dona Lina, mas fui azarada: me viram saindo de lá segundos antes da bomba explodir.

Não fui eu. Mas, agora, quem é que vai acreditar em mim?

Ajude-me! Estou desesperada!
Mônica