sexta-feira, 23 de março de 2012

Livro: Poética

O primeiro comentário que eu fiz ao ler a Poética de Aristóteles foi: "por que eu não li isso antes?" Aos 18, 20 anos, por exemplo. Se hoje fez muita diferença na minha vida, imagino o que não faria antes...

Na Poética, Aristóteles fala sobre o que constitui a tragédia. O filósofo era um perfeito organizador. Ele foi responsável, a grosso modo, por organizar muita coisa no mundo. Uma dessas organizações é a Poética. Para começar, ele separa a Poética entre Tragédia e Comédia. A primeira parte do livro é a que diz respeito à Tragédia. E Aristóteles destrincha a composição do texto, a formação do drama (sempre partindo de um mito), a atuação do coro e dos atores, o espaço cênico, deus ex machina e chega até mesmo a falar sobre a composição das frases (suas partes: o nome, a sílaba, o verbo - de uma forma muito interessante). É lindo!

O livro foi escrito como notas de aula. Ele guiava Aristóteles com os muitos esquemas nas aulas no Liceu, a escola fundada pelo filósofo. Enquanto eu lia, ficava pensando como seria bacana ter aulas com aquele professor. É o primeiro livro de Aristóteles que leio e estou apaixonada por ele. Ainda tenho pelo menos mais dois livros dele para ler (obrigações da aula de Teoria Estética), mas curti tanto a Poética que estou muito animada.

E a segunda parte da Poética, que trataria da Comédia, foi perdida. Há uma série de tratados sobre ela, mas o texto original se foi. E o melhor que já foi feito sobre a perda desse livro, com certeza, foi em O nome da Rosa, de Umberto Eco. Esse é um dos livros mais lindos que existe. Recomendo tanto a Poética de Aristóteles quando O nome da Rosa, de Umberto Eco.